Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Rotina e Ansiedade




A partir do século 19, predominava o competitivismo industrial que cedeu lugar ao coletivismo industrial comunitário. Trocaram-se os hábitos, mas não para uma renovação saudável, na forma de encarar a vida e de vivê-la, pois com essas mudanças surgiram vários conflitos que se manifestam na personalidade humana conduzindo o ser a uma alienação perturbadora. Se por um lado essa mudança de hábitos livrou o homem de algumas fobias, tabus, superstições, falsa moral e hipocrisia, por outro, impôs outros padrões comportamentais de massificação que contribuem para o desequilíbrio.
O excesso de tecnologia que aparentemente resolveria os problemas humanos gerou novos dramas e conflitos comportamentais numa rotina degradante. Como sempre acontece na história da humanidade, a ciência não se faz acompanhar por equivalente desenvolvimento ético-espiritual e isso conduz o homem ao aniquilamento. A competição constante em todos os setores da vida humana, as rápidas mudanças, as pressões, os desafios e a complexidade da vida moderna resultam numa luta desigual do homem contra a máquina que leva o individuo a não se encorajar neste competitivismo doentio, que receando ser vencido se entrega a acomodação, limitando-se a coisas mais fáceis e repetitivas, numa existência neurótica, que mata seu entusiasmo de viver e não consegue enfrentar novos desafios, tornando-se vítima da rotina.
Rotina é ferrugem na engrenagem do corpo que corroe e arrebenta, automatizam a mente ao mesmismo cansador e deprimente. Repete-se a ação de ontem com igual intensidade, hoje. O indivíduo retorna ao lar ou busca espairecer-se nas atitudes de sempre, bar, clube, televisão, jornal, sexo e com receio da solidão deixa-se arrastar pela inutilidade agradável, jogos de cartas, e outros, normalmente acaba sendo vitimado por problemas cardíacos, consequência da acomodação estimulada pela própria rotina. Somos portadores de preciosos recursos que dormem latentes em nosso intimo e que aguardam ampliação e desdobramento e que só o trabalho pode despertar. Se pela rotina deixamos esse potencial inativo, a frustração emocional entorpece o sentimento do ser levando-o a violência, ao crime como processo de libertação da masmorra que construímos para nós mesmos. De repente rompemos o limite do habitual dando vasão aos conflitos, aos extintos agressivos entrando em processos alucinados de desequilíbrio e choque.
Quando a pessoa faz uso limitado de sua inteligência, acomodando-se no que é básico, repetitivo, na rotina, transitando sempre pelos mesmos caminhos já percorridos pela imaginação, satisfazendo-se com o pouco já adquirido, permanecendo em círculos viciosos de problemas e agitações perturbadoras, não se permitindo novas experiências de renovação espiritual, permanecerá estagnado como árvore cheia de folhas e sem frutos. As ansiedades nos levam às quedas e nada constroem de positivo. Todo homem ansioso, precipitado cria barreiras para si mesmo. O Homem vem à Terra na condição de trabalhador em tarefa edificante, mas as inquietações angustiosas o deixam ansioso e consequentemente um desesperado sem remissão.
O Homem tem necessidade de se renovar incessantemente, mudando-se para melhores hábitos e atividades, motivando-se para o aprimoramento íntimo. Nesse sentido os ensinamentos de Jesus são os suportes morais e espirituais de que carece para a ruptura da rotina, abrindo espaços mentais e emocionais para o idealismo do amor ao próximo, da solidariedade e todo tipo de serviço de enobrecimento humano. Esses elementos lhe oferecerão saudável dinâmica para uma vida integral em favor do homem, espírito eterno e não apenas da máquina humana pensante, a caminho do túmulo da dissolução e esquecimento.
ANSIEDADE – Conforme dito popular: “Se correr o bicho pega, se parar o bicho come”. Quando não somos vítimas da rotina, estamos sujeitos, às vezes, assumir um comportamento ansioso, próprio da conduta contemporânea. São dois os grupos de fatores que contribuem para a ansiedade: Um é a insegurança individual e coletiva, e o outro são as ameaças contra o ser e seu grupo. De um lado geram insegurança a complexidade da vida moderna como competitividade de cargos, empregos, as pressões, os desafios da tecnologia eletrônica e robotização, mudanças frequentes e rápidas; por outro lado, as ameaças contra o ser como constantes indícios de guerras, governos ditadores, epidemias de enfermidades devastadoras, danos contra a ecologia que resultam em tragédias, a violência geral que responde pela inquietação e pelo medo em todos os setores da vida que levam o indivíduo a permanente ansiedade.
A ansiedade se manifesta também de forma natural, aceitável, como sensação incerta e desagradável, mas podemos considerá-la com atitude de equilibrada expectativa, que expressa uma inquietude interior, quando, por exemplo, se aguarda uma notícia, uma resposta, uma visita. Quando extrapola pode causar distúrbios respiratórios, sudorese, perturbação gástrica e insônia e pode chegar a consequências agravantes. O homem das metrópoles apegado aos conflitos da competição humana, ou deixando-se vencer pela acomodação (rotina), não aplica seu tempo na aquisição de valores espirituais, propiciadores da beleza, da paz, da perfeição. Nestes momentos de ansiedade de insatisfação e insegurança, do tormento das ameaças e pressões, as lições do Cristo sobre o amor ao próximo, solidariedade fraternal, a compaixão…, são ensinamentos que nos orientarão sem as conflitantes disputas do passado, nem as acomodações coletivas do presente.
por Adauto Reami
FONTES: O Homem Integral – Divaldo P. Franco – (Joanna de Angelis) e Transtornos Mentais – Suely Schubert