Estudando o Espiritismo

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domingo, 28 de setembro de 2014

INSEGURANÇA ATUAL E A DOUTRINA

INSEGURANÇA ATUAL E A DOUTRINA


No Livro dos Espíritos, na pergunta 926, encontramos a seguinte resposta: “Os males deste mundo, estão em razão das necessidades fictícias que criais para vós mesmos. Aquele que sabe limitar seus desejos e vê sem inveja o que está acima de si, poupa-se a muitas decepções na existência. O mais rico não é o que tem maiores posses, mas aquele que tem menos necessidades”.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, vamos encontrar o espírito de Fénelon a nos advertir, dizendo: “De tormentos se poupa, aquele que sabe contentar-se com o que tem; que observa sem inveja o que não possui; que não procura aparentar mais do que o que é. Esse é feliz, porquanto, se olha para baixo de si, vê sempre outras pessoas que têm menos do que ele. Ele é calmo porque não cria para si, desejos e necessidades quiméricas... Não será a calma, uma felicidade em meio das tormentas da existência?”

Muitas pessoas têm medo de tudo, de doenças, de tempestades, da situação econômica difícil, de desastres, da violência, enfim, de coisas que podem nunca acontecer com elas. É claro que, entrar em pânico não vai resolver nada; o que nos compete fazer é tomar as precauções para evitar o que pode ser evitado; jamais pensar o pior. A propósito, o psicólogo inglês Engler, apurou em pesquisa que, apenas 2%, vejam bem, 2% das nossas preocupações, são justas e merecem nossa atenção. Isso significa que 98% das nossas preocupações não têm sentido, só servindo para sobrecarregar nossa mente.

A melhor coisa para mantermos o equilíbrio emocional diante da existência é dirigirmo-nos diretamente ao Pai Celestial, para vencermos a insegurança, o medo e a ansiedade. Orar é um ato de fé, de confiança na bondade de Deus e no Seu imenso amor para com todos nós, pois Ele nos criou para sermos felizes. Há pessoas que vivem estressadas, no dizer popular: “com os nervos a flor da pele”. O ser humano sofre mutações psíquicas de acordo com o que vê, ouve e aprende. Tudo isso vai influenciar no que ele pensa, sente e faz, causando por vezes, danos materiais, morais e espirituais para si próprio. Para outras pessoas mais equilibradas, as mesmas coisas poderão passar despercebidas, sem maior importância, sem provocar reações que causem mal estar. Para evitar mágoas, constrangimento ou aborrecimentos é bom que vigiemos os nossos pensamentos, as palavras e as ações, administrando bem as nossas emoções e evitando a precipitação ou a preocupação antecipada dos fatos.

Vivemos difícil período com mercados em crise, bolsa em baixa, bancos quebrando e o desemprego rondando a existência de muita gente. A verdade é que a crise não veio como um furacão repentino para causar na sociedade o caos. Como tudo na vida segue padrões estabelecidos pela Natureza, com a crise não foi diferente. Ela veio de fininho, entranhando-se em nossas vidas, pelo exagero do consumismo; foi crescendo sem que percebêssemos e hoje chegou firme, pujante e mal-educada, ameaçando todos nós. Sim, fomos nós que plantamos essa crise mundial com nossas atitudes de alto consumo, no exagero e na busca do ter, que gerou toda essa situação em que hoje nos vemos envolvidos.

A sociedade de consumo exagerado plantou a ilusão de que devemos ter tudo, sem, entretanto, termos o poder aquisitivo para ter tudo de tudo. Produtos e mais produtos são lançados no mercado e grande parcela da população invade as lojas de todos os segmentos para adquirir as novidades, com e sem as condições necessárias. E, para que possamos ser felizes e bem-sucedidos, como prega a propaganda, temos que comprar, e para isso nos oferecem créditos e mais créditos; e com essas facilidades fomos comprando o necessário e também os supérfluos, não com dinheiro, mas com créditos, que é um dinheiro de “mentirinha”. Lógico que, com tanto crédito fácil, um dia as contas iriam ultrapassar nossos ganhos e fatalmente, as dívidas bateriam em nossa porta. Aí não adianta lamentar, natural é que paguemos pelo que compramos...

Há alguns meses atrás, víamos anúncios assim: “Compre seu carro sem entrada e pague em 100 meses”. Conhecemos pessoas que não tinham nem carteira de motorista e nem necessidade e compraram carro para impressionar os visinhos. Hoje, os meses estão sendo reduzidos juntamente com o crédito oferecido, enquanto os juros passaram a aumentar. Chegou o momento de se refletir e chegar à conclusão de que não precisamos de tantas coisas para viver. No momento, há ainda algo mais importante a considerar: A natureza que tanto nos concede está fatigada; chegou o momento de preservá-la; necessitamos voltar nossos olhos para a reciclagem, de modo que retiremos da natureza, somente o necessário do necessário. A crise é, portanto, para exercitarmos a criatividade e rever nossas necessidades e valores.

Imaginemos qual seria a postura de Allan Kardec, se estivesse encarnado nos dias de hoje, em relação à crise econômica. Quais seriam suas palavras, suas atitudes. Será que o Codificador vivendo no Brasil, compraria em carro financiado em 100 meses? Tomando como base suas idéias e seu ideal dirigido para a educação da alma humana, não é difícil prever quais seriam suas opiniões que, em realidade, já estão impressas em “O Livro dos Espíritos”, mais precisamente na resposta a questão nº 713, em que os Espíritos afirmam: “Os prazeres têm o limite traçado pela natureza, mas os seres humanos chegam ao extremo e são punidos pela própria volúpia, por seus desejos desregrados”.

A crise que se instalou mundialmente é um mecanismo para que nos eduquemos e aprendamos a viver com o necessário, sem o exagero do supérfluo. Não estamos aprovando à miséria; estamos apenas fazendo um apelo ao bom senso. Senão vejamos: Cerca de 80 milhões de brasileiros estão endividados por conta dos abusos do consumismo. A facilidade do crédito dá a falsa ilusão de alto poder aquisitivo. Há muito tempo, afirmam os economistas que, o cartão de crédito e limites bancários são utilizados como complemento de renda, o que equivale a dizer que, não sabemos viver com o que ganhamos, querendo sempre mais, e aí as dívidas e os juros nos tiram o sossego e a paz. Aliás, os altos preços de alguns bens, são frutos da procura frenética que empreendemos por eles.

Fazemos qual uma criança que quando vê uma coisa diferente, embora tenha muitos brinquedos, logo deseja essa coisa. A lei de mercado nos indica que quanto mais procurado, mais valorizado estará o bem e certamente mais caro será o seu preço. É possível viver bem e confortavelmente aproveitando os benefícios da tecnologia, sem partir para o consumismo exagerado que trás grande prejuízo para nós como também para á economia, à ecologia e o meio ambiente que é degredado. Buscar a existência com simplicidade, sem exageros, é fundamental para afastarmos toda e qualquer crise, além de evitar cobranças e dores de cabeça na hora de liquidá-las. Afinal, nossos objetivos na Terra são muito mais amplos, do que nos afogarmos em dívidas e juros.

A Doutrina dos Espíritos ensina-nos a viver com simplicidade; basta estudarmos atentamente as questões aqui mencionadas e teremos uma notável aula de economia e orçamento familiar. O Evangelho nos informa que as causas atuais das nossas aflições são devidas a nossa má conduta, e por não termos limitado nossos desejos. Quantos males e enfermidades são conseqüências dos nossos excessos de todos os gêneros. O nosso desejo de possuir mais e mais e o apego a esses bens terrenos é um dos mais fortes fatores do entrave ao nosso adiantamento moral e espiritual.

Deus conhece nossas necessidades, e as provê segundo o nosso merecimento; mas o ser humano, insaciável em seus desejos, não sabe se contentar com o que tem; o necessário não lhe basta, quer sempre mais e mais, mesmo sendo supérfluo. É então que a Providência Divina o deixa entregue a si mesmo; frequentemente é infeliz por sua própria culpa e por não ter ouvido a sua consciência que o advertia. Deus o deixa sofrer as conseqüências, a fim de que lhe sirva de lição para o futuro.

A Terra e a Natureza sempre produziram o bastante para alimentar todos os seres humanos. O alimento que a Terra generosamente produz para o sustento de todos, devia ser um patrimônio de toda a humanidade. A aquisição e a posse de bens terrenos, que consiste a felicidade na Terra para muitos, é uma quimera, ilusão para àqueles que não agem sabiamente, que, por uma semana, um mês ou um ano de completa satisfação, todo o resto se passa numa seqüência de amarguras e decepções; e notai que estamos falando dos felizes da Terra, daqueles que são invejados pelas multidões.

Jesus recomendou: “Não ajunteis tesouros na Terra, que são perecíveis; mas formai tesouros no Céu, porque são eternos”. Em outras palavras: Não vos preocupeis com a posse dos bens materiais, que são passageiros, mas sim com os bens espirituais; porque o ser humano só possui aquilo que pode levar deste mundo. Um espírito protetor, em mensagem no Evangelho Segundo o Espiritismo, declara: “Quando considero a brevidade da existência terrena, fico dolorosamente impressionado pela grande preocupação da qual o bem-estar material é para vós o objeto, ao passo que ligais tão pouca importância e não consagrais senão pouco ou nenhum tempo ao vosso aperfeiçoamento moral que deve ser contado para a vossa eternidade”.

Jesus, ainda falando da bondade do Pai Celestial, nos disse: “Observai os pássaros do Céu; eles não semeiam e não colhem e não amontoam em celeiros, mas vosso Pai Celestial os alimenta; não sóis vós muito mais do que eles? Procurai, pois, primeiramente o Reino de Deus e Sua bondade, e todas as outras coisas vos serão dadas por acréscimo”.

Chega de medos, chega de preocupações, chega de insegurança; vivamos com simplicidade e confiantes de que somos filhos bem amados, e que devemos trabalhar para progredir, cientes de que nosso Pai Celestial está sempre amparando todos nós. . .



Bibliografia:
“O Livro dos Espíritos”
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”
Jornal “O Imortal”


Jc.
S.Luis, 25/5/2009