Estudando o Espiritismo

Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Baixa estima 1 - Hammed

Complexo de inferioridade consiste em conjunto de idéias que foram recalcadas no inconsciente da pessoa em tenra idade, associadas às já existentes pelas experiências obtidas em vidas pretéritas. Ele age sobre a conduta humana, provocando sentimentos gratuitos de culpa, excessiva carga emotiva relacionada a pensamentos de baixa estima, frequente sensação de inadequação e constante frustração em decorrência da desvalorização da capacidade e habilidade pessoal.

Para melhor entendimento de nossa reflexão, definiremos os termos "recalque" ou "repressão" como um processo psíquico através do qual recordações, sentimentos, idéias e desejos inaceitáveis ou desagradáveis são excluídos da consciência, permanecendo apenas no inconsciente.

Alfred Adler, austríaco, um dos grandes nomes da psicanálise, médico, psiquiatra e psicólogo renomado, elucidou: "Subentendemos que, atrás das atitudes daqueles que se apresentam perante os outros com uma postura de superioridade, é possível a existência de um sentimento de inferioridade".

Segundo a psicologia adleriana, cada pessoa possui um "estilo de vida". Esse estilo é que motiva o indivíduo, através de impulsos sociais, a buscar o seu natural desenvolvimento e aperfeiçoamento. Na teoria de Adler, o "estilo de vida" forma-se na primeira infância e quase não se altera depois. Ele dizia que a maneira pessoal de o indivíduo se comportar, de se vestir, de se expressar ou de falar; ou melhor, sua forma de ser era a consequência desse "estilo" adotado. Concordando em parte com essa teoria, gostaríamos de acrescentar que o somatório dos múltiplos "estilos de vida" vivenciados nas diversas existências da alma humana, adicionado ao da infância atual, forma a real motivação que vai gerar nossas ações e atitudes. Somos, portanto, nós mesmos quem criamos nossas experiências, podendo assim modificarmos ou não os padrões de nossa vida.

Em muitas ocasiões, as pessoas tentam compensar esse sentimento de inferioridade, adotando formas de viver em que exageram e exaltam a própria personalidade. Tendência à arrogância, delírio megalomaníaco, preferência pela ostentação fazem parte do cortejo daqueles que possuem uma interiorizada depreciação de si mesmos.

Todos nós acolhemos em nossa intimidade não apenas crenças individuais, mas também as que nos foram transmitidas pela família e pela sociedade em vários níveis. Desde um gesto, um olhar ou uma expressão corporal até uma conduta ou a verbalização  todos nós assimilamos as crenças alheias, através de uma comunicação que poderíamos denominar de "contagiante".

Muitas almas, devido à sua imaturidade espiritual, deixaram-se contagiar por crenças materialistas, no decorrer dos séculos dos séculos e nos diversos lugares onde viveram. Aceitaram as doutrinas filosóficas que defendem o ceticismo e que atribuem como causas ou origem da vida as propriedades íntimas da matéria. São as "crenças do acaso", que atribuem a tudo um acontecimento fortuito ou aleatório.

Na parte I, capítulo I, questão 8, de "O Livro dos Espíritos", encontram, os que seria uma absurdo atribuir "a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso (...) A harmonia existente no mecanismo do Universo (...) revela um poder inteligente (...) o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso".

Aprofundando nossas reflexões, poderemos considerar que a base de todo complexo de inferioridade inicia-se ao materialismo, ou seja, na crença do nada.

Quando cremos que tudo provém do acaso e que nada existe senão o que os olhos físicos conseguem visualizar, iniciamos em nós o processo de inferioridade. Criamos, a partir daí, um "estilo de vida" inconsciente, baseado em que "não somos nada" e, em nossas produndezas, consideramos que somos o produto momentâneo do acaso. Rejeitamos a riqueza incomensurável de nosso mundo interior e do Universo e não acreditamos na plenitude da Vida Maior, porque desprezamos a Perfeita Ordem Divina. Ignoramos a essência sagrada que habita em nós e lutamos contra uma suposta má sorte do destino, que nos fataliza a desgastar enorme quantidade de energia, por não reconhecemos que as Leis Naturais regulam tudo e todos.

O poeta e prosador francês François Marie Arouet, dito Voltaire, escreveu com muita propriedade: "O acaso não é, não pode ser, senão a causa ignorada de um efeito desconhecido".

Quando a pretensão e o orgulho tomam conta de nossos atos, nossa maneira de ser passa a fundamentar-se uma constante supercompensação negativa de nosso sentimento de inferioridade, por acreditarmos que somos, simplesmente, uma "combinação fortuita da matéria".

A pessoa materialista precisa crer que é superior, para compensar sua crença na insignificância da existência ou na falta de sentido em que vive. O ser espiritualizado acredita que não é pior nem melhor do que os outros, porque percebe e age com seus sentidos voltados para a Eternidade e sabe que cada pessoa é tão boa quanto pode ser, conforme seu grau e evolutivo.

No entanto, o materialista prossegue em sua jornada, crescendo e descobrindo que o caminho da felicidade é uma trilha que o leva para "dentro de si mesmo" e o conduz até o Poder Superior, libertando-o da prisão dos sentidos para a plenitude existencial.

A providência primeira e essencial, para que possamos nos cura do sentimento de baixa estima ou inferioridade, é a convicção na eternidade das almas e na pluralidade das existências, somadas à crença de que somos seres espirituais criados plenos e completos, vivendo uma experiência humana com o objetivo de nos conscientizarmos dessa nossa plenitude inata. As providências seguintes a serem tomadas deverão ser reflexões sobre as causas de nossos sentimentos de inferioridade, o modo como foram adquiridos e as crenças que os motivaram.

É essencial lembra-nos de que sempre é possível alterar ou transformar nosso "estilo de vida". Para tanto, não duvidemos de nossas aptidões e vocações naturais, nem questionemos, sistematicamente, nossas forças interiores. Para obtemos autoconfiança, somente é preciso reivindicarmos, valorosamente, o que já existe em nós por direito divino.

Hammed - As dores da alma