Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Egoísmo

 Bastará examinar os graves conflitos da humanidade, suas guerras e distorções, e será fácil constatar que os Espíritos tinham razão quando apontaram que o mais radical dos vícios é o egoísmo, e que dele "deriva todo o mal" [1] .

     No entanto, convém fazer uma distinção entre "ego" e "egoísmo". O ego é o centro da consciência, parte importante do psiquismo para afirmação da identidade. É através do ego que o Self - a totalidade do ser, a alma - se realiza. O papel do ego deve ser o de "mordomo" da totalidade da qual ele faz parte. O grande problema é quando confundimos essa parte pequena com a totalidade, e a nossa vida passa a ser uma vida de louvor e exaltação do ego. Em termos psicológicos, esse é o "ego inflado", que contém energias preciosas mas que não sabe utilizá-las convenientemente.

     A criança vive uma fase egocêntrica, na qual pensa ser o centro do universo e que todos os seus desejos devem ser atendidos. E é justamente nesse período que a educação do ser tem importância fundamental, devendo ser aproveitada por pais e educadores para estabelecer os limites pelos quais a criança pode transitar, direcionando de forma saudável a construção da personalidade. Não sendo educada convenientemente, o egocentrismo vai se transformando em egoísmo, onde não apenas acredita ser o centro do universo, mas que pode servir-se das pessoas e descartá-las como se fossem objetos.

     Para o egoísta, os verbos "ter", "controlar", "descartar" e seus sinônimos estão sempre por perto. E isso não se refere apenas às coisas, mas também às pessoas, pois como o egoísta precisa de bajuladores para alimentar o seu cortejo de vaidades, encontra naqueles que o invejam a oportunidade de exaltar-se, e ainda faz se passar, muitas vezes, por pessoa generosa. Nesta busca insana de tentar sobrepor-se aos demais, a projeção de imagem é alimentada a cada instante, mesmo que seja algo sem substância para sobreviver por longo tempo. Mas o egoísta não está preocupado com isso, pois busca respostas e resultados imediatos...

     Aspirando por ser reconhecido, e muitas vezes tido em alta estima pelos outros, utiliza-se das artimanhas que tem ao alcance. O egoísta levará uma vida sem sentido até que a existência o convoque para prestação de contas. É que por mais que durem os prazeres e bajulações, chega o momento em que as reflexões batem à porta, e a "alma esquecida" cobra um preço alto aos insanos. Conflitos, crises das mais diversas e o próprio vazio existencial servem como um chamamento da alma para que o ego passe a buscar um significado mais profundo, e passe a direcionar a vida de maneira saudável.

     Há um "infinito em nós" que não nos esquece, e na primeira oportunidade nos alcança. Normalmente o ego imaturo busca fugir dessas crises, solucioná-las de forma mágica, entregando-se aos mecanismos de fuga, às buscas miraculosas, ou recorrerá a formas astuciosas de tentar inflar ainda mais o ego, na tentativa de tentar preencher-se. Mas nenhum vazio interior pode ser preenchido com coisas, e chega o momento em que o embate torna-se inevitável. Nesse momento faz-se a oportunidade de canalizar a energia inconvenientemente abrigada no ego de uma nova forma. Essa é a importância de se ter um sentido existencial, algo em que acreditemos, pautado em valores nobres e construtivos, e que mesmo sendo visto como ilusão e perda de tempo pela maioria (e não poderíamos esperar julgamento diferente numa sociedade egoísta e materialista), nos faz retomar a marcha da vida, e passar do egoísmo ao altruísmo. Certamente não é algo que se dá da noite para o dia, e toda uma jornada deverá ser percorrida. E por incrível que possa parecer, o altruísta não é aquele que direciona sua vida para o outro, mas aquele que, tendo encontrado consigo mesmo, exercita o respeito, a amorosidade, a fraternidade e os valores ético-morais como base para sua existência. Nesse contexto, estabelece Joanna de Ângelis [2] :

     "As ações humanistas são o passo que desvela a consciência ética no indivíduo que já não se contenta com a experiência do prazer pessoal, egoísta, dando-se conta das necessidades que lhe vigem em volta, aguardando a sua contribuição." Através do altruísmo, exercitamos as virtudes para poder libertar-se dessa grande chaga da humanidade.


     [1] O Livro dos Espíritos , questão 913

     [2] O Homem Integral . Editora Leal