Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

O EGOÍSMO - PARTE I


Emmanuel, o Guia Espiritual de Francisco Cândido Xavier, ao qual aprendemos a admirar, a respeitar e a amar, com quem muito aprendemos, e continuamos a aprender no estudo dos seus livros, assina esta mensagem.

Inicia-a afirmando que “O egoísmo, esta chaga da humanidade, deve desaparecer da Terra, porque impede o seu progresso moral.”

Kardec também cita esse mal, juntamente, com o orgulho, como as duas maiores chagas, da humanidade, impedindo seu progresso moral.

O egoísmo, considerado por Emmanuel, como o “filho do orgulho” e o “monstro devorador de todas as inteligências”, porque as domina, direcionando- as para o mal, a dor e o sofrimento, “é a fonte de todas as misérias terrenas”, porque leva o homem a pensar somente em si, impedindo-o de fazer crescer o amor, inerente em si, no ser espiritual, em potencialidade a ser desenvolvida por sua vontade.

O egoísmo oprime, abafa esse desenvolvimento, e o homem continua cada vez mais centrado nos seus desejos, na sua prepotência, sem perceber as necessidades dos demais, inclusive dos que lhes partilham as experiências. Não consegue amar, nem ser amado.

Tendo o espiritismo, a tarefa de colaborar para o desenvolvimento moral da humanidade, o que elevará a Terra na hierarquia dos mundos, o egoísmo é o alvo, para o qual, os espíritas, principalmente, “devem dirigir suas armas, suas forças e sua coragem”, combatendo-o em si próprio.

As armas são a vontade, vinda da compreensão e da aceitação da necessidade de eliminá-lo de si, para que o amor possa se desenvolver.

As forças são o direcionamento das suas energias, das suas vibrações, da sua inteligência, da sua sensibilidade, no uso da vontade para os dois objetivos: desenvolver o amor e combater o egoísmo.

A coragem é a tenacidade, a bravura, a intrepidez, a firmeza de espírito, a determinação, necessárias para vencer-se a si mesmo.

Isso não se faz com facilidade, nem em pouco tempo, mas, uma vez iniciada a luta, no processo da mesma, surgem os estímulos adequados, nas pequeninas vitórias e na percepção do amparo espiritual.

Emmanuel afirma que a causa do cristianismo não ter ainda conseguido cumprir sua missão na Terra, está no egoísmo, na sua invasão nos corações humanos, no seu antagonismo à caridade, impedindo a ação dessa na mente e nos corações dos homens.

Cita como o exemplo de caridade, Jesus, e como exemplo do egoísmo, Pilatos, que não reconhecendo no acusado, nenhuma das acusações, tendo, pois a chance de libertá-lo, não o fez, lavou suas mãos, entregando à multidão, influenciada pelas autoridades religiosas de Israel, a decisão da condenação à morte na cruz.

E esclarece que cabe, agora, aos espíritas, a tarefa de combater o egoísmo, para fortalecer o Cristianismo, limpando todos os obstáculos que entravam a marcha libertadora dos homens.

Essa responsabilidade atual dos espíritas está nas palavras de Jesus: “Porque a todo aquele, a quem muito foi dado, muito será pedido, e ao que muito confiaram, mais contas lhe tomarão”. (Lucas, XII : 47e 48).

Assim, aos espíritas, no aceitarem a 3ª revelação, o espiritismo revelado pelos Espíritos, e codificado por Allan Kardec, pelos muitos esclarecimentos recebidos, tendo, por conseqüência, maiores e melhores condições de viverem os ensinos de Jesus, muito será pedido, mas, também, muito será dado aos que souberem aproveitar esses ensinamentos na sua melhoria e na do seus próximos.

A fé raciocinada, a “que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”, como escreveu Kardec, neste livro que estudamos, capítulo XIX, item 7, é a fé
Libertadora, que pode levar os espíritas a colaborarem na evolução moral da humanidade da Terra, se – há quase sempre um “se”, já disse um poeta, cujo nome me esqueci – esses espíritas cuidarem de combater os obstáculos desse progresso, a começar do egoísmo, primeiro em si mesmo.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Outubro / 2009

O EGOÍSMO - PARTE II
Blaise Pascal, cientista francês e filósofo religioso, nasceu em 19 de junho de 1623, em Clermont. Estudou com seu pai, Pascal d’Etienne, um nobre e funcionário do governo, demonstrando uma genialidade precoce em matemática e ciência, principalmente física.

Aos 16 anos escreveu um Tratado sobre as secções dos cones, que ganhou o respeito dos matemáticos de Paris. Aos 19, construiu uma máquina calculadora, para ajudar seu pai nos cálculos complicados que precisava fazer no seu trabalho na prefeitura.

Desenvolveu estudos em geometria, hidrodinâmica, hidrostática e pressão atmosférica, descobriu a lei, que foi denominada Lei de Pressão Pascal.

A ele é creditado a descoberta da teoria matemática da probabilidade.

Em 1646, seu pai sofreu um acidente e foi cuidado, com muita dedicação por dois enfermeiros jansenistas, até curar-se, deixando a família impressionada com o ideal religioso.

Na noite de 23 de novembro de 1654, Pascal teve uma experiência espiritual, entrando em estase, por duas horas, teve uma visão, que o levou a decidir-se pela religião católica.

Participou do movimento religioso na França, conhecido como Jansenismo, segundo as idéias de Cornelius Otto Jansen (1585-1636), teólogo e bispo católico, holandês. Seus escritos foram publicados dois anos após sua morte, num livro chamado Augustinus, que confrontava a teologia de Santo Agostinho com as tendências do catolicismo de então, principalmente, os jesuítas.

Em defesa do teólogo Antoine Arnauld, jansenista ativo, excluído da Faculdade de Teologia de Paris, onde era professor, Pascal, escreveu 18 cartas, a um provincial e aos jesuítas, mais tarde publicadas em livro “Letres Provinciales”, sendo também condenado pelos professores de Teologia da Sorbonne.

A partir de 1655, viveu de modo ascético e desenvolveu marcantes trabalhos na área da filosofia, sendo, nessa área, sua obra mais importante “Pensamentos”, escritos nos seus últimos anos de vida na Terra, onde apresenta suas idéias sobre a fé em Deus e sobre o sofrimento humano, publicado anos após seu desencarne, em 19 de agosto de 1662, de um tumor cancerígeno no estômago, que chegou ao cérebro. *

“Se os homens se amassem, reciprocamente, a caridade seria mais bem praticada. Mas para isso, seria necessário que vos esforçásseis no sentido de livrar o vosso coração dessa couraça que o envolve a fim de torná-lo mais sensível ao sofrimento do próximo.”

             Assim, inicia Pascal sua mensagem.

A couraça a ser eliminada é a do egoísmo, que impede o homem de sensibilizar-se com as necessidades dos outros, com suas dores e seus sofrimentos, levando-o a ver-se, somente a si, como o centro de tudo e de todos

A rigidez, em relação aos demais, mata os bons sentimentos, impedindo-os de se desenvolver.

Assim, o egoísmo impede o desenvolvimento do amor ao próximo, que deve se desenvolver, segundo determinação divina, nos corações de toda a humanidade.

Pascal também cita Jesus, como O Modelo a ser seguido.

Ensinava, exemplificava, atendia a todos que o procuravam, ouvindo-os, dando-lhes atenção, não se importando com as reações de ninguém, sem receio do que pudessem pensar ou falar, como demonstram diversas passagens dos Evangelhos, tais como: a conversa com a samaritana, que muito surpreendeu seus discípulos (João, IV: 1 a 30), a visita à casa de Zaqueu, mal visto por seus conterrâneos, por ser cobrador de impostos (Lucas: XIX: 1 a 10), curando aos sábados, dia proibido às atividades não religiosas, sendo essas as prescritas pela religião. (Mateus, 12: 1 a 8), comendo com publicanos e pecadores (Mateus, IX: 10 a 12) e muitas mais.

Com serenidade, continuava a dizer coisas novas, contrariando, muitas e muitas vezes, as concepções da época.

Sabia que provocava revolta em uns, medo em outros, mas continuava ensinando, despertando consciências, aliviando dores, curando doenças, esclarecendo dúvidas, estimulando inteligências a pensar, sereno, tranqüilo, consciente da sua tarefa de lançar sementes aos que o ouviam, porque confiava em Deus, nas Suas leis e na perfectibilidade dos homens.

Jesus é o Maior Exemplo de vivência de amor ao próximo, sem qualquer sinal de egoísmo.

Quando grande parte dos homens, ou a sua maioria tiver a preocupação de viver a caridade, uns para com os outros, quando procurarem fazer bem aos seus próximos, sem eximir-se da responsabilidade, que é de todos, do auxilio mútuo, sempre, nas suas necessidades, o mal, envergonhado, se anulará, porque se sentirá deslocado.

Então, os egoístas restantes quererão aprender a amar o próximo como a si mesmo.

Pascal conclama os espíritas a darem esse exemplo, sendo caridosos para com todos, indistintamente.

Lembremo-nos, nós, os espíritas, que a caridade começa em casa, devendo continuar nos Centros Espíritas, nos locais de trabalho, de lazer, expandindo-se por toda parte, onde estivermos.

“O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem a caridade, não há tranqüilidade na vida social, e digo mais, não há segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos dadas, essa vida será sempre uma corrida favorável ao mais esperto, uma luta de interesses, em que as mais santas afeições são calcadas aos pés, em que, nem mesmo os sagrados laços de família são respeitados”.

Essas duas últimas frases de Pascal parecem-me muito apropriadas ainda para os dias de hoje, diante da situação de violência e de insegurança, existentes em quase todas as nações, e da valorização da inteligência, do dinheiro e do poder, usados com esperteza, com malícia, com mentiras em favor de interesses particulares ou públicos, no desprezo aos sofrimentos, necessidades materiais e espirituais de muitos.

Sem o combate individual e coletivo na eliminação do egoísmo e do orgulho, os homens continuarão fazendo sua evolução espiritual de forma muito mais lenta e mais sofrida do que com a caridade, que estimula a solidariedade, a fraternidade entre todos, homens e nações, levando-os ao amor ao próximo como a si mesmo.

 * Dados extraídos da Internet: Jornal Mundo Espírita- setembro de 2001

Leda de Almeida Rezende Ebner
Novembro / 2009