Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Mágoa...Você pode superar! Uma visão espírita

Mágoa...Você pode superar! Uma visão espírita

A sabedoria humana, através dos séculos, nos legou um número significativo de orientações e percepções que são capazes de nos auxiliar e confortar em momentos difíceis.

Em primeiro lugar é necessário que nos lembremos de que somos humanos e que a experiência que estamos experimentando de maneira tão dolorosa está sendo e já foi vivida por milhares de pessoas.

Quando refletimos sobre isso podemos nos perguntar sobre como essas pessoas reagiram a esse sentimento tão devastador que é a mágoa.

Será que todos sucumbiram? Tiveram suas vidas destruídas? Tiveram que conviver a vida inteira com esse sentimento?

A conclusão a que chegamos, com toda a certeza é de que podemos classificar essas pessoas em dois grupos distintos:

01) Aquelas que não superaram;

02) Aquelas que superaram totalmente;

Não é difícil identificar nos dois grupos sugeridos aquele que mais sofre, aquele a quem o sentimento de mágoa mais maltrata.

É importante procurarmos saber em que grupo estamos, para então darmos o próximo passo.

Em segundo lugar precisamos fazer uma pergunta sincera, que venha de dentro de nosso coração, e buscar de todas as maneiras uma resposta que nos satisfaça:

É possível superar a mágoa? E se a resposta for sim. O que é preciso fazer para superá-la?

É possível chegar a uma resposta através da leitura de textos que falem sobre o assunto, da orientação de pessoas que trabalham com aconselhamento, de amigos, de pessoas mais experientes e assim por diante.

O importante é que nos entreguemos à busca de uma resposta. Caso cheguemos, através de nossos esforços, a uma resposta afirmativa nos habilitamos ao próximo e, talvez, o mais importante passo.

Se concluirmos que é possível superar a mágoa o passo seguinte, independente de quem tenha nos provocado a mágoa ou do motivo, consiste em  fazermos outra pergunta e entregarmo-nos corpo e alma para respondê-la.

Não devemos nos  justificar, só observarmo-nos e responder.

A pergunta que precisamos responder é: eu quero superar essa mágoa? quero de verdade? quero acima de tudo? Quero com todas as minhas forças? Quero mais do que qualquer outra coisa?

Se não conseguirmos responder essas perguntas com convicção isso pode indicar que  estamos querendo, ao menos no momento, alguma coisa diferente daquilo que pode nos fazer superar a mágoa, podemos estar querendo justamente aquilo que faz com que permaneçamos atormentados por esse sentimento tão destrutivo.

É perfeitamente humano e normal nos sentirmos feridos, desapontados e machucados quando alguém trai a nossa confiança, nos lesa, nos ofende, ainda mais se essa pessoa pertence ao nosso círculo de afetos.

Temos o direito de sentir raiva dessa pessoa, mas entendamos, raiva e não mágoa, porque raiva é algo que dá e passa, mágoa não, a mágoa é irmã gêmea do ressentimento e esse é o grande problema, ficar sentindo uma emoção negativa indefinidamente.

Com isso sofremos sempre que a situação nos vem à lembrança. Se conseguimos sentir raiva, ainda que seja intensa ela vai passar. Por isso, ela não nos destrói com o passar do tempo.

Quando observamos a resposta às perguntas sugeridas e, sem rodeios, com toda a sinceridade possível, admitimos se queremos ou não superar a mágoa, conseguimos ter uma idéia do que precisamos fazer e do quanto teremos que nos dedicar ao processo de superação.

Se respondemos que queremos superar a mágoa isso quer dizer que faremos tudo o que for necessário para alcançar esse objetivo.

Se respondemos que não queremos superar a mágoa porque o orgulho não deixa, porque não podemos esquecer o prejuízo sofrido, porque não conseguimos nem pensar em quem nos magoou que isso dá dor de barriga, é claro que não estaremos preparados para fazer o que é necessário.

Por isso, devemos responder e nos adaptar à realidade de nossa condição atual.

Para quem acredita que é possível superar a mágoa e quer realmente superá-la o auxílio vem pela compreensão e adoção sincera dos ensinos contidos no evangelho de Jesus Cristo, que há dois mil anos nos ensina a deixar a cruz pesada de sentimentos e comportamentos incompatíveis com a frequência vibratória de Deus nosso criador.

Ele nos respondeu, por exemplo, a quantas vezes devemos perdoar, como devemos tratar nossos inimigos, como devemos amar nosso próximo.

Ele nos ensinou que não devemos nos esquecer de que aqui tudo é transitório, pois iremos todos morrer um dia e que tudo o que possuímos deixará de ter importância para nós.

Ensinou também que seremos perdoados na medida em que perdoarmos nossos devedores.

Por isso, não podemos esquecer que também somos devedores, que temos nossos credores e que gostamos de ser perdoados e compreendidos.

Ensinou que existem pessoas enfermas moralmente e que agridem e machucam os outros sem se dar conta de que um dia a semente plantada vai dar frutos amargos que serão colhidos por ela mesma.

Não podemos esquecer que nós mesmos somos devedores de nossas ações e devemos saber que estamos aqui no mundo plantando novas sementes e colhendo as sementes que plantamos no passado, seja nesta vida ou em outra.

Nada acontece  que não esteja explicado na consequência de nossas próprias ações ou falta de cuidado ou prudência.

Se estamos sofrendo provas ou atravessamos expiações dolorosas todas elas, sem exceção, são resultado de nossas ações.

Se em nossa vida não há motivos que justifiquem aquilo que estamos sofrendo podemos ter a certeza que em encarnações passadas nós nos endividamos e agora nosso passado está cobrando a fatura.

Ao ser que nos ofendeu, mal sabe ele que na nessa relação  alguém está colhendo e alguém está plantando, quem colhe está saldando débitos, quem planta talvez ainda nem tenha consciência de que está apenas sujando a água que um dia terá que beber.

Por isso, talvez a melhor atitude para com quem está contraindo débitos nos auxiliando a saldar nossas dívidas é respeito e compreensão, pois no fundo está nos auxiliando a resgatar nossas dívidas.

Jesus nos ensina que devemos orar pelos nossos inimigos. Se eles não existissem de que outra maneira saldaríamos os débitos que temos por aqui, que adquirimos quando, no passado, fizemos  mal aos outros.

Se não acreditamos que é possível superar as mágoas ou admitimos que não queremos, preparemo-nos, porque tudo o que iremos sofrer terá por objetivo apenas  nos fazer entender o que falamos anteriormente.

No fundo não iremos sofrer para superar a mágoas, mas tão somente para compreender o que devemos fazer para superá-la.

Por isso, uma atitude inteligente é queimar etapas e adotar a Cristo como guia de suas ações em busca de uma vida mais feliz, sem dúvida o caminho indicado por ele nos exige renúncias e sacrifícios mas, seguramente, nos conduz a felicidade.

Lembremo-nos que ele nos disse “ meu jugo é suave e meu fardo é leve”.
Astúrio Passos