Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 24 de julho de 2014

FLAGELOS - OU CAUSA E EFEITO?

FLAGELOS - OU CAUSA E EFEITO?

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Doris Madeira Gandres
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Interessante constatar como o hábito nos conduz a palavras usualmente empregadas, mesmo quando sabemos que não são adequadas... Eu escrevi "vítimas"... São? Ou são criaturas que tiveram a oportunidade de acertar suas necessidades corretivas; ou ainda, criaturas sujeitas a uma necessidade de remanejamento decorrente da lei de sintonia; ou ainda, quem sabe, criaturas cujo nível evolutivo lhes possibilitou uma desencarnação difícil, mas precursora de um retorno em condições de auxiliar na construção do mundo de regeneração? Ou mesmo, talvez, todos esses casos ao mesmo tempo...

Todos nós estamos muito impressionados e consternados com os acontecimentos na região serrana do nosso Estado do Rio de Janeiro, o que é muito natural. O que não podemos, particularmente nós, espíritas, é nos deixar levar pela onda de desespero e pavor alimentada e exacerbada diária e ininterruptamente pela mídia em geral. Devemos tomar ciência SIM do que está ocorrendo e, cada um, de per si ou em grupo, tentar fazer o máximo e o melhor possível para ajudar as pessoas atingidas.

Todavia, é necessário manter o equilíbrio a fim de podermos ser efetivamente úteis. Se recorrermos aos ensinamentos espiritistas, no Livro dos Espíritos, na Lei de Destruição, encontraremos subsídios que nos ajudarão a entender essas situações um pouco melhor, ajudando-nos também a não nos revoltarmos diante de tais dificuldades e sofrimentos.

Logo na primeira questão que trata desse assunto, a 728, os amigos espirituais nos esclarecem afirmando que "é necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar; porque isso a que chamais destruição não é mais que a transformação, cujo objetivo é a renovação e o melhoramento dos seres vivos".

Na questão 728-a, ainda nos consolam: "mas é apenas o invólucro que é destruído, e esse invólucro não é mais que o acessório, não a parte essencial do ser pensante, pois este é o princípio inteligente, indestrutível, que se elabora através das diferentes metamorfoses por que passa"...

Mais adiante, na questão 737, quando Allan Kardec pergunta com que fim Deus "castiga" a humanidade com flagelos destruidores, a resposta é clara: "Para fazê-la avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? Não julgais essas coisas senão do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais flagelos por causa dos prejuízos que vos causam, mas esses transtornos são frequentemente necessários para fazerem que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos".

E seguimos ainda com Kardec e os amigos espirituais - na questão 740, o mestre lionês pergunta se os flagelos não seriam igualmente provas morais para o homem, pondo-o às voltas com necessidades mais duras, e a Espiritualidade mais uma vez esclarece: "Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a sua inteligência, de mostrar a sua paciência e a sua resignação à vontade de Deus, ao mesmo tempo em que lhe permitem desenvolver os seus sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo, se ele não for dominado pelo egoísmo".

Agora, na questão seguinte, recebemos a mais triste das respostas, no que se refere a podermos prevenir tais flagelos, que tanto nos afligem: dizem os Espíritos que "podemos preveni-los sim, em parte, mas não como geralmente se pensa. Muitos flagelos são a consequência de nossa própria imprevidência (...) mas entre os males que afligem a humanidade, há os que são de natureza geral e pertencem aos desígnios da Providência. Desses males, cada indivíduo recebe, em menor ou maior proporção, a parte que lhe cabe, não lhe sendo possível opor nada mais que a resignação à vontade de Deus. Mas ainda esses males são geralmente agravados pela indolência do homem".

Diante desses esclarecimentos, que possamos unir ao nosso sentimento de espanto o sentimento de esperança, de fé, de coragem e de boa vontade para continuarmos seguindo em frente, sem medo nem rebeldia.

Perdoem-me os companheiros de ideal se relacionei desta vez tantas questões do nosso livro pilar da doutrina; mas pobres são as nossas palavras e igualmente o nosso entendimento em situações de tal ordem de dificuldade e dor. E onde melhor buscar alguma compreensão e alento senão no Espiritismo, o Consolador prometido?

Publicado no Jornal Correio Espírita edição 68 Fevereiro 2011.