Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Flagelos destruidores

Flagelos destruidores


737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?

“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são freqüentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.” (744)

738. Para conseguir a melhora da Humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores?

“Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.”

a) — Mas, nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso. Será justo isso?

“Durante a vida, o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, de maneira diversa pensa depois da morte. Ora, conforme temos dito, a vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no vosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto vos queixais. Representam um ensino que se vos dá e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real  (85). Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a sua solicitude. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles.”

b) — Mas, nem por isso as vítimas desses flagelos deixam de o ser.

“Se considerásseis a vida qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Em outra vida, essas vítimas acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.”

Venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo.

Se, pelo pensamento, pudéssemos elevar-nos de maneira a dominar a Humanidade e a abrangê-la em seu conjunto, esses tão terríveis flagelos não nos pareceriam mais do que passageiras tempestades no destino do mundo.

739. Têm os flagelos destruidores utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam?

“Têm. Muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.”

740. Não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, por porem-no a braços com as mais aflitivas necessidades?

“Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.”

741. Dado é ao homem conjurar os flagelos que o afligem?

“Em parte, é; não, porém, como geralmente o entendem. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à vontade de Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência.”

Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra. Não tem, porém, o homem encontrado na Ciência, nas obras de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de impedir, ou, quando menos, de atenuar muitos desastres? Certas regiões, outrora assoladas por terríveis flagelos, não estão hoje preservadas deles? Que não fará, portanto, o homem pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar-se de todos os recursos da sua inteligência e quando, aos cuidados da sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes? (707)

Resumo

Deus emprega todos os dias – além dos flagelos destruidores – outros meios para conduzir a Humanidade ao aperfeiçoamento moral, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. Como ele não se aproveita desses meios, é necessário que seja castigado no seu orgulho e sinta sua própria fraqueza. Durante a vida, o homem tudo refere ao seu corpo, mas pensa de maneira diferente depois da morte. Ora, a vida do corpo bem pouca coisa é. Um século em nosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Os Espíritos formam o mundo real. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Nas grandes calamidades – como os flagelos destruidores – que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército, cujos soldados, durante a guerra, ficassem com os uniformes estragados, rotos ou perdidos. O general, porém, se preocupa mais com os soldados do que com suas roupas. Se considerássemos a vida qual ela é, e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância daríamos a ela. Em outra vida, as vítimas dos flagelos acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar. Os flagelos destruidores têm utilidade também do ponto de vista físico, mas o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam. Em parte é possível ao homem conjurar os flagelos que o afligem. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns existem de caráter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à vontade de Deus.

Texto Complementar

Tsunami

(Richard Simonetti é entrevistado sobre assunto)

 1 – O final de 2004 foi marcado pela tragédia na Ásia, o tsunami, a onda gigantesca que dizimou perto de cento e cinqüenta mil pessoas. Poderíamos falar em carma coletivo?

Até por uma questão de logística, seria altamente complicado reunir tanta gente num único local, no momento preciso em que aconteceu a tragédia. Em O Livro dos Espíritos, na questão 737, os mentores que respondem a Allan Kardec situam tais ocorrências como flagelos destruidores, que têm por objetivo fazer a Humanidade avançar mais depressa.

2 – Então não podemos dizer que aquelas pessoas estavam destinadas a morrer daquela forma, naquele momento?

A idéia de que existe dia certo para morrer é uma fantasia. Gente que maltrata o corpo com o sedentarismo, os vícios, a glutoneria, os tormentos da paixão, a irritação, a visão pessimista da existência, e muitos outros desvios, abrevia a existência. Por outro lado, acidentes, males súbitos, fenômenos naturais, como o maremoto que assolou a Ásia, promovem mortes que não estavam escritas nas estrelas.

3 – De qualquer forma acontecimentos dessa natureza geram sofrimentos para os que partem e para os que ficam. Se não se trata de um carma, como fica a justiça?

Uma mulher que dá à luz sofre horrivelmente as dores do parto. Fala-se que não há dor física que se compare. Depois vem a emoção incomparável de acolher o filho em seus braços. A dor faz parte do mundo em que vivemos, instrumento de evolução, antes de ser instrumento de resgate. As grandes dores resultam em grandes progressos, como se a vida sacudisse as coletividades, em favor de estágios mais altos. No rescaldo da tragédia asiática fica o maravilhoso movimento de solidariedade que envolveu a população mundial, sensibilizando milhões de pessoas. É um abençoado exercício de compaixão em favor da saúde espiritual da humanidade.

4 – O que preocupa, nessas situações, é ver gente de bem e crianças, pessoas que nunca se envolveram com o mal, perecerem estupidamente. Não deveriam ser poupados?

Isso só teria cabimento se a morte fosse um castigo divino quando, na verdade, é uma libertação. A vida em plenitude está no mundo espiritual. Morrer é livrar-se dos grilhões da matéria. Além do mais, o que é uma existência senão minúscula gota d’água no oceano da eternidade?

5 – Naquela tragédia houve pessoas que foram milagrosamente salvas, até crianças indefesas. Podemos dizer que nesses casos houve uma interferência divina?

Raciocínios dessa natureza só produzem revolta naqueles que tiveram familiares mortos. Por que Deus teria protegido a alguns, enquanto outros pereceram? Por que esse favorecimento? Onde estaria a bondade divina?

06 – Como ficam, na Espiritualidade, aqueles que perecem em tragédias assim?

A situação do Espírito, após o desencarne, não depende de como partiu da vida física, mas de como chegou ao mundo espiritual. Uma pessoa que morra em acidente pode recuperar-se rapidamente, se viveu de forma espiritualizada, cultivando idéias em torno do Bem e da Verdade, enquanto outra, que teve uma doença de longo curso, pode enfrentar problemas, se não cultivou existência virtuosa.

7 – Há uma assistência do plano espiritual aos desencarnados naquela situação?

Sem dúvida. Assim como acontece na vida física, há uma ampla mobilização de benfeitores espirituais, procurando atender os desencarnados, embora a readaptação destes à vida espiritual vá depender não tanto da assistência que recebam, mas muito mais de seus patrimônios morais e espirituais, e da maneira como vão reagir à nova situação.

8 – Numa Humanidade mais evoluída não haverá flagelos destruidores?

O que chamamos de flagelos destruidores são fenômenos naturais, que ocorrem na Terra desde os seus primórdios, há bilhões de anos, e continuarão a ocorrer nos bilhões de anos que se desdobrarão até que o nosso planeta desapareça. Com o aperfeiçoamento moral e intelectual da humanidade saberemos lidar melhor com eles

(Retirado do site http://www.richardsimonetti.com.br/pinga_fogo/tsunami.htm)