Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Flagelos destruidores

Estudando a Codificação: Flagelos destruidores
16.03.2011

Há temas em O Livro dos Espíritos dos quais pouco nos lembramos, exceto se um fato de certa magnitude nos chama atenção. Isso ocorre, por exemplo, com o tema Flagelos Destruidores, que está posto na terceira parte de O Livro dos Espíritos, na Lei de Destruição. Do memorável diálogo travado por Kardec com os Espíritos, retiramos algumas ilações sobre a compreensão espírita de fatos que têm sido definidos, pela imprensa, como desastres e tragédias, e descritos, apenas, do ponto de vista da perda de vidas e de bens materiais.  Para contrastar com essa opinião, vejamos o que diz a Codificação.

Na questão 737[1] de O Livro dos Espíritos, como se antevisse a situação de encimesmamento em que nos colocamos frente a uma catástrofe como, por exemplo, o Tsunami da Polinésia, no Natal de 2004, cujo número de óbitos chegou a 300.000[2], Kardec pergunta: Com que fim Deus fere a humanidade por meio de flagelos destruidores?  Vejamos que a questão assume um ponto de vista muito humano, ao questionar a finalidade de uma ação que é considerada grave por que fere a humanidade. A resposta dada a essa questão divide-se em três pontos. O primeiro deles diz respeito ao progresso da Humanidade. Nas palavras do Espírito de Verdade: “[fere a humanidade]Para fazê-la progredir”. O segundo ponto diz respeito aos desdobramentos desse objetivo inicial:  “... a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que em cada nova existência sobem mais um degrau na escala evolutiva... Muitas vezes esses transtornos são necessários para que mais depressa se chegue a uma ordem melhor de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”
Em outras palavras, a destruição é vista pelos Espíritos como instrumento de progresso, tanto moral como material. Por fim, o terceiro ponto a ser destacado na resposta diz respeito à visão que temos do problema. De acordo com a resposta: “Como julgais somente do vosso ponto de vista pessoal, dai-lhe o nome de flagelos, em virtude dos problemas que vos causam.” Vejamos que os Espíritos ressaltam nesse trecho o ponto de interpretação em que muitas vezes nos colocamos, desprezando o aspecto espiritual envolvido na matéria.
Na questão seguinte, 738, Kardec prossegue como se desse curso às nossas indagações, questionando: Para melhorar a Humanidade, Deus não poderia empregar outros meios além dos flagelos destruidores? Vejamos que a questão revela, por um lado, a compreensão da finalidade dos flagelos, apresentada na resposta à questão anterior, mas vai além, inquirindo sobre a misericórdia divina. A resposta diz textualmente: “Sim, e diariamente os emprega, pois deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem que não se aproveita desses meios. É preciso, pois, que seja castigado no seu orgulho e sinta a própria fraqueza.” Vejamos que a resposta amplia a nossa visão sobre o problema e rapidamente trazemos à memória um sem número de situações em que somos confrontados com a distinção entre o bem e o mal, e quantas vezes a opção não é pelo primeiro.
Kardec prossegue nesse diálogo apresentando outra questão que assalta a nossa imaginação: Mas, nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso. Isso é justo?  Se nós tínhamos pensado apenas nas duas questões anteriores, como as únicas a fazermos ao Espírito de Verdade e estivéssemos satisfeitos com as respostas, nos deparamos com sensibilidade do Codificador que vai além, levantando o véu nessa nova questão, mais ou menos nos seguintes termos: onde a justiça divina se bons e maus perecem numa situação em que não são diferenciados? A resposta é uma das mais filosóficas do bloco desta temática e, diferentemente das demais, não é uma resposta direta.  Longe de atender a esse aspecto pontual sobre justos e perversos, a resposta focaliza o significado da morte e a existência além do corpo como sendo o que de fato interessa. A síntese da resposta pode ser apresentada na seguinte sentença: “Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, constituem o mundo real: são esses os filhos de Deus e o objeto de toda a sua solicitude.” Ou seja, independentemente de justos ou perversos, os Espíritos são filhos de Deus, portanto, merecem e recebem Sua atenção. A resposta deixa entrever que a separação entre uma e outra categoria parece resultar de uma construção humana.
Não obstante a resposta seja consoladora e nos leve a outro horizonte de cogitação, Kardec insiste num aspecto tocante, novamente colocando o ponto de vista humano na inquirição: Mas nem por isso as pessoas vitimadas por esses flagelos deixam de ser vítimas. Vejamos que o Codificador não traz à tona o aspecto transcendental apresentado pela resposta anterior, mas o aspecto tangente, qual seja o vitimização, que é uma condição da dimensão humana. Chama-nos atenção o fato de que ele não usa a palavra espírito e sim pessoas.  A resposta, todavia, longe de endossar essa direção argumentativa, retorna à temática apresentada na resposta dada à questão anterior: “Se considerásseis a vida qual ela é, como insignificante em relação ao infinito, não lhe daríeis tanta importância. Em outra existência, essas vítimas encontrarão larga compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.” Em outras palavras, enquanto Kardec insiste no aspecto humano da questão, a perspectiva dos Espíritos é a da transcendentalidade do evento, qual seja a de  que o sacrifício do presente é passaporte para a felicidade, desde que as adversidades sejam suportadas sem contraditas.
Esse mesmo tema é retomado em Obras Póstumas[3] numa página memorável. No final da primeira parte desse livro, no item denominado Questões e Problemas, Kardec aborda as expiações coletivas, tema que está diretamente relacionado aos flagelos destruidores, mas que não é tratado item que tomamos para reflexão em O Livro dos Espíritos. Seguindo o roteiro de perguntas e respostas, temos a seguinte questão: O Espiritismo explica perfeitamente a causa dos sofrimentos individuais, como conseqüências imediatas das faltas cometidas na existência precedente, ou como expiação do passado; mas, uma vez que cada um só é responsável pelas suas próprias faltas, não se explicam satisfatoriamente as desgraças coletivas que atingem as aglomerações de indivíduos, às vezes, uma família inteira, toda uma cidade, toda uma nação, toda uma raça, e que se abatem tanto sobre bons, como sobre maus, assim sobre os inocentes, como sobre culpados.
Vemos nessa questão aspectos muito interessantes. Primeiro, a retomada da tese espírita sobre a lei de causa e efeito, colocada como explicação para os sofrimentos individuais. Depois, o questionamento sobre as expiações coletivas. Vejamos que Kardec usando um recurso retórico faz uma pergunta sobre o aparentemente inexplicável que é o sofrimento que se abate sobre coletividades, apresentadas de forma gradativa, da família à raça, e indistintamente sobre indivíduos de caráter diverso. Sem dúvida, uma questão fascinante. Como explicar as expiações coletivas?
Como ocorre com todas as questões fascinantes colocadas por Kardec, as respostas são ainda mais fascinantes do que as perguntas. O texto de duas páginas vem assinado por Clélia Duplantier (Espírito cujo histórico desconhecemos) e recebe um comentário de sete páginas do Codificador.  A resposta desse Espírito apresenta raciocínio original, iniciando pelo fato de indicar que “todas as leis que regem o Universo, sejam físicas ou morais, materiais ou intelectuais, foram descobertas, estudadas, compreendidas, partindo-se do estudo da individualidade e do da família para o de todo o conjunto, generalizando-as gradualmente e comprovando-se-lhes a universalidade dos resultados.” Temos, aqui, a apresentação de procedimento científico de investigação que é a generalização a partir da investigação de fenômenos localizados, cuja especificidade repete uma regra geral.  Já dá para inferir a regra que sofrimentos podem ser também coletivos.
Na sequência, a autora da resposta confirma essa regra geral e acrescenta que assim como o “algoz expia a sua falta quer indo encontrar-se com a sua vítima no espaço, quer vivendo com ela numa das muitas existências sucessivas, até a reparação do mal praticado, o mesmo sucede quando se trata de crimes cometidos solidariamente por um certo número de pessoas.”  Para arrematar essa ideia, completa: “As expiações também são solidárias, o que não suprime a expiação simultânea das faltas individuais.” Com isto, já é possível concluir que a suposição inicial da pergunta posta por Kardec pode ser respondida afirmativamente, mas ou menos nos seguintes termos: o Espiritismo explica satisfatoriamente as desgraças coletivas, pois elas são consequência das faltas cometidas coletivamente  em existências precedentes.
Porém, a mais importante ideia vem colocada a seguir, nesses termos: “três caracteres há em todo homem: o do indivíduo, do ser em si mesmo; o de membro da família e, finalmente, o de cidadão. Sob cada uma dessas três faces pode ele ser criminoso e virtuoso, isto é, pode ser virtuoso como pai de família, ao mesmo tempo que criminoso como cidadão e reciprocamente. Daí as situações que para si cria nas suas sucessivas existências.”
Originalíssima, essa argumentação desvela essa tripla dimensão da ação do espírito encarnado o que já nos leva a concluir com facilidade que as infrações à Lei Divina podem se dar em qualquer uma dessas faces exigindo a natural reparação.
A dissertação é concluída com a seguinte informação: “Graças ao Espiritismo, compreendeis agora a justiça das provações que não decorrem dos atos da vida presente, porque reconheceis que elas são o resgate das dívidas do passado. Por que não haveria de ser assim com relação às provas coletivas? Dizeis que os infortúnios de ordem geral alcançam assim o inocente, como o culpado; mas, não sabeis que o inocente de hoje pode ser o culpado de ontem?”.
Isto posto, vale a pena fazer aqui uma breve desvio dos textos centrais para verificar a abordagem dada ao tema na obra dos Espíritos Emmanuel e Joanna de Ângelis, os dois grandes evangelizadores do Brasil. Em O Consolador[4], um livro de 1940, através da mediunidade de Chico Xavier, respondendo a uma questão (88) sobre comoções geológicas, que aqui podem ser dilatadas para incluir todos os flagelos destruidores,  o mentor do médium uberabense informa que os mesmos não são simples acidentes da natureza, uma vez que o mundo não está sob a direção de forças cegas. As comoções geológicas, diz Emmanuel, são instrumentos de provações coletivas, ríspidas e penosas. Conclui dizendo que, nesses cataclismos, a multidão resgata igualmente os seus crimes de outrora e cada elemento integrante da mesma quita-se do pretérito na pauta dos débitos individuais.  Mais adiante, no mesmo livro, respondendo sobre provações (250), afirma que “Na provação coletiva verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro. O mecanismo da justiça, na lei das compensações, funciona então espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas na dívida do pretérito para os resgates em comum, razão por que, muitas vezes, intitulais ‘doloroso acaso’ às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro dos seus compromissos individuais.”
 Vemos em ambas as respostas de Emmanuel a retomada da tese de Clélia Duplantier, apresentada em Obras Póstumas, segundo a qual erros coletivos exigem reparação coletiva conforme os padrões da Justiça Divina. Ademais, a mesma ideia de que o acaso não dirige a natureza reaparece no texto desse orientador. Ao dizer isto, conforme já dito em o Livro dos Espíritos, lembra-nos de mobilizar a inteligência para evitar o que pode ser evitado e minimizar os estragos dos desastres.
Na obra Após a Tempestade[5], Joanna de Ângelis, através da psicografia de Divaldo Franco, especificamente no capítulo 1, intitulado Calamidades, apresenta outras ideias que se juntam-se às já apresentadas e nos dão, como diz a autora, o ponto de vista espiritual sobre o qual esses fatos devem ser analisados. Separamos três contribuições de Joanna nesse texto. Inicialmente o objetivo de tais eventos. Diz a autora que “esses flagelos destruidores têm objetivos saneadores que removem as pesadas cargas psíquicas existentes na atmosfera, que o homem elimina e aspira em contínua intoxicação.”  Vemos que ideia é original por indicar que a atmosfera se compõe também das energias emitidas pelos espíritos encarnados e que precisa periodicamente ser renovada. Eventos como esses produzem uma energia diferente e compensadora que é a que emana da solidariedade que costuma ser vista em momentos assim. Logo, concluímos que forças de conservação e de renovação são permutadas e se combinam nas catástrofes.
Além dessa ideia, Joanna contribui, num segundo momento do texto, com uma lista dos crimes contra a humanidade que são justiçados num flagelo destruidor. Sua lista inclui: “Comparsas de hediondas chacinas, grupos de vândalos; malta de inveterados agressores; corsários e marinhagens desvairados; soldadesca mercenária, impiedosa e avassaladora; incendiários contumazes de lares e celeiros; cúmplices e seviciadores de vítimas inermes; pesquisadores e cientistas impenitentes; legisladores sádicos e injustos; conquistadores arbitrários, carniceiros; mentes vinculadas entre si pelo ódio, ciúme e inveja que incendeiam paixões.” Ou seja, esses são criminosos que “reunidos em vidas futuras, atravessando os portais de Imortalidade, através de regastes coletivos, como coletivamente espoliaram, destruíram, escarnceram, aniquilaram, venceram os que encontravam à frente... a fim de se reajustarem no concerto Cósmico da Vida...”
 Assim posto, compreendemos melhor a ideia apresentada em Obras Póstumas sobre as três faces do indivíduo, assim como compreendemos quão avassaladores, tal qual apresentado na questão 785 LE, são o egoísmo e o orgulho, essas “duas chagas da humanidade” que movem esses crimes. Isto nos leva a pensar que se a humanidade não optar coletivamente pelo amor muitas catástrofes ainda serão mobilizadas até que modifiquemos a psicosfera da Terra.
Por fim, a contribuição de Joanna refere-se a um ponto sempre curioso que envolve esses eventos: os heróis. Diz ela: “Construtores gananciosos que de fazem instrumento para cobranças negativas, maquinistas e condutores displicentes de veículos, que favorecem a tragédias volumosas, homens que vendem a honradez e sabem que determinadas calamidades têm origem nas suas mentes e mãos, embora ignorados pela Justiça humana não se furtarão à Consciência Divina neles mesmos insculpida, que lhes exigirá retorno ao proscênio em que se fizeram criminosos ignorados para tornar-se heróis, salvando outros e perecendo, como necessidade purificadora de que se alçarão, depois, à paz.”
 Este trecho explica quem são os heróis das tragédias, que salvam vidas ou salvam a si mesmo em condições improváveis. Como diria Clélia Duplantier, vendo a face do indivíduo ou a do pai de família não imaginamos que cidadão comprometido com as Leis Divinas está se renovando.  Esse trecho permite-nos inferir também sobre os que se salvam por que num átimo de segundo deixaram o lugar ou não chegaram a tempo: não estavam na relação dos culpados ou de tal forma já haviam resgatado o antigo débito que não precisavam mais enfrentar o desencarne doloso e em condições adversas.
Em suma, os textos de Emmanuel e Joanna nos permitem entender melhor o diálogo kardequiano sobre as vítimas, conforme transcrevemos acima.
Retomando, então, o fio central de nossa reflexão, vemos uma conexão entre a Lei de Destruição, na qual se incluem os flagelos destruidores, e a lei de Progresso, ambas tratadas em O Livro dos Espíritos.   Na questão, 739 o Codificador volta à carga questionando a utilidade desses flagelos do ponto de vista físico, não obstante os males que causam. A resposta apresentada encontra confirmação na nossa experiência quando confrontamos o antes e o depois de um episódio dessa magnitude. Dizem os Espíritos: “Algumas vezes eles [os flagelos] mudam as condições de uma região, embora o bem que deles resulte só seja sentido pelas gerações futuras.”
Em O Livro dos Espíritos, Kardec pontua ainda outros aspectos importantes. Na questão 740, o foco se volta para as provações morais que decorrem dos flagelos destruidores.  Os Espíritos respondem a Kardec confirmando que “Os flagelos são provas que dão ao homem oportunidade de exercitar a sua inteligência, de demonstrar paciência e resignação ante a vontade de Deus, permitindo-lhe manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor, caso o egoísmo não a domine.” Ou seja, o foco dos Espíritos não é nem o da perda nem o da destruição quando se referem aos flagelos. Antes, eles já haviam proposto o horizonte do pequeno sacrifício da morte ante a perspectiva da imortalidade, assim como o horizonte da compensação ante o acolhimento da morte (intempestiva, digamos assim). Essa última resposta se volta para os que sobrevivem e enfrentam essa situação, que podem (1) empregar a inteligência para vencer a adversidade, (2) demonstrar a paciência e a resignação ante a vontade de Deus e (3) experimentar o amor ao próximo. Ou seja, os Espíritos não falam em perdas.
Por fim, na questão 741, o escopo é a previdência. Kardec pergunta se é permitido ao homem afastar os flagelos que o torturam?  Vejamos a resposta: “Em parte, sim; não, porém, como geralmente o entendem. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os pode afastar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar suas causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que estão nos desígnios da Providência e dos quais cada indivíduo recebe,  em maior ou menor grau, o contragolpe. O homem nada pode opor a esse tipo de flagelo, a não ser sua submeter-se à vontade de Deus. Além disso, muitas vezes esses males, são agravados pela negligência do próprio.”
Vejamos que há um limite para a previdência, no mais a Providência Divina delibera. Contudo, os Espíritos não dizem que não devemos ser previdentes ou empregar o conhecimento para prevenir acidentes e preservar vidas. Aliás, no comentário que apõe a essa questão, Kardec destaca o papel que cabe à ciência para atenuar desastres, bem como destaca as possibilidade que tem o homem quando alinha recursos da inteligência ao sentimento da verdadeira caridade.  A essa observação, poderíamos acrescentar o papel que cabe aos gestores públicos de envidarem todos os esforços para melhorar as condições de vida das pessoas sob sua responsabilidade.
Esse tema também relacionado à transição planetária que é explorado em A gênese[6], cap XVIII. Como são textos longos, vamos aqui destacar as ideias centrais de apenas dois deles.  Em Sinais dos Tempos, o primeiro desses dois textos, encontramos:  “Esse duplo progresso [físico e moral] se realiza de duas maneiras: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, por meio de mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido, que assinala, com sinais nítidos, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados, quanto às particularidades,  ao livre arbítrio dos homens, são de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão submetidos a leis, como as que se operam na germinação, no crescimento e maturidade das plantas. É por isso que o movimento progressivo se efetua, às vezes, de modo parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação; de outras vezes será geral.”
Isto significa que o progresso da humanidade atende a um movimento contínuo com alguns momentos de pique e de rápida transformação, tanto no aspecto físico com as catástrofes que mudam a aparência de uma região, observáveis, em geral, pela geração seguinte, quanto no aspecto moral com as revoluções sociais e as ideias que não podem ser detidas. Quanto a esse segundo aspectos, vale lembrar a frase do escritor francês Victor Hugo,  “nada é mais forte do que uma ideia cujo tempo é chegado.”
 A outra ideia associada a esta se encontra no texto a Geração Nova: “Para que os homens sejam felizes na Terra, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que só se dediquem ao bem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, visto que,  se assim não fosse, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso... Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade...”
Com base nesse trecho, podemos concluir este texto convencidos de que as catástrofes não estão associadas à punição e sim à reparação, e são um mecanismos da transição planetária que acompanhamos neste momento como testemunhas privilegiadas ...
Portanto, da próxima vez que nos depararmos com um flagelo destruidor tenhamos em mente que ali está a Providência Divina, manifestando-se pedagogicamente! O maior ou menor número de vítimas relaciona-se a duas variáveis: o empenho pessoal dos implicados em superarem-se e o empenho dos gestores públicos, apoiados pela ciência, para melhorar as condições de vida.





[1] Tomamos como referência a edição especial comemorativa do Sesquicentenário de Lançamento de O Livro dos Espíritos, 1ª. Reimpressão,  tradução de Evandro Noleto, Rio de Janeiro, FEB, 2009.
[2] Veja descrição sobre o evento do pontos de vista espiritual na obra Transição Planetária, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Franco, Leal Editora, 2010.
[3] Usamos como referência a 17ª edição, tradução de Guillon Ribeiro, Rio de Janeiro, FEB, 1978.




[4] Tomamos como referência a 5ª edição, publicada em 1970, no Rio de Janeiro pela FEB.
[5] Usamos como referência a 2ª edição, publicada em 1977, publicada em Salvador pela LEAL.
[6] Usamos a tradução de Evandro Noleto, publicada pela FEB, em 2009.

Denise Lino