Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 3 de junho de 2014

O USO DAS CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS PARA FINS TERAPÊUTICOS E O ENTENDIMENTO ESPÍRITA SOBRE O RESPEITO À VIDA

O USO DAS CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS PARA FINS TERAPÊUTICOS
E O ENTENDIMENTO ESPÍRITA SOBRE O RESPEITO À VIDA
Por Xerxes Pessoa de Luna
 xerxesluna@hotmail.com

Em decisão por maioria simples, o Supremo Tribunal Federal brasileiro julgou constitucional o ponto da Lei de Biossegurança aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, que permite a utilização de células-tronco retiradas de embriões congelados há mais de três anos, em pesquisas com fins científicos e terapêuticos.

Células-tronco são “células primitivas, produzidas durante o desenvolvimento do organismo e que dão origem a outros tipos de células. Elas são encontradas no cordão umbilical, na medula óssea, na pele ou em outras partes do corpo humano e nos embriões. ”

O princípio que rege o tratamento das enfermidades com implante de células-tronco fundamenta-se no fato de que estudo acerca do seqüenciamento do DNA(Ácido DesoxirriboNucleico) evidencia que a causa do surgimento de certas doenças está na seqüência incorreta do código genético nas células do enfermo, conseqüência, a nosso ver, segundo uma ótica espírita, das vibrações de desequilíbrio profundo no perispírito que pede reajuste. Com um implante de uma célula tronco perfeita, que dará origem a novas células sadias, essa seqüência será corrigida o que acarretará o desaparecimento da enfermidade.

Diante das evidências concretas de tantos benefícios para as criaturas, o Espiritismo gratamente se associa a tais propósitos, pois o progresso completo da sociedade humana é a grande meta da Doutrina dos Espíritos. Entretanto, esse progresso não pode se dissociar de dois outros, o moral e o intelectual, que devem caminhar lado a lado. Nesse sentido a Doutrina Espírita tem muito a contribuir; inicialmente através do novo foco interpretativo das leis morais trazidas por Nosso Senhor Jesus Cristo; e, posteriormente, através das revelações referentes à existência do mundo espiritual e suas relações com o mundo material, o que, sem dúvida, concorrerá para o esclarecimento de inúmeros fenômenos incompreensíveis e considerados inadmissíveis por parte de alguns pensadores e homens de ciência .

Sendo assim o Espiritismo, não é contra o uso de células-tronco para fins terapêuticos, desde que elas sejam adultas, pois sua obtenção e utilização em nada prejudicam as pessoas doadoras nem tampouco sacrificam a vida de seres em sua fase mais primária (embrião). Nesse sentido, pareceres publicados pela a Associação Médica Espírita – AME do Brasil, pela Federação Espírita Brasileira - FEB e por renomados médiuns espíritas, unanimemente apóiam essas experiências, desde que não venham a utilizar embriões, sejam eles congelados ou não.





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Tal restrição fundamenta-se no fato de que, para o Espiritismo, a vida humana começa na concepção, no exato momento da fecundação, no instante em que ocorre a reunião do elemento genético masculino e feminino, formando-se daí uma célula somática composta por quarenta e seis cromossomos característicos da espécie humana. Neste instante, um espírito se liga através de um cordão fluídico a essa célula que dará seqüência à produção de outras células diferenciadas e reguladas segundo o modelo organizador da forma, oriundo da expansão do perispírito do ser reencarnante. Assim, o embrião é um ovo humano em desenvolvimento que, após atravessar a trompa de Falópio e acomodar-se no útero materno, prosseguirá dando continuidade à formação progressiva do novo ser em gestação. A interrupção desse ciclo corresponderá a uma prática clara de aborto e isso a Doutrina Espírita não apóia, por ser, o Espiritismo, completamente favorável à Vida.

As pessoas favoráveis as experiências com células-tronco embrionárias fundamentam sua opinião numa série de argumentos. Dentre eles destacamos alguns para nossa reflexão:
1. “Nos procedimentos de fertilização in-vitro (FIV) são formados um número excessivo de embriões. Como nem todos são utilizados, os excedentes são conservados por meio do congelamento, para uso posterior da mãe doadora, se assim o desejar. Após certo tempo, caso não venham a ser utilizados, são destruídos. Assim sendo pergunta-se: É ético deixar um paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um embrião cujo destino é o lixo?”

Diante de tal argumentação formulamos a seguinte pergunta: É correto um erro justificar outro? Sinceramente acredito que todos diremos que não. Assim, o correto é nos unirmos para exigir das autoridades à regulamentação ética da produção de embriões nos procedimentos da fertilização in-vitro, deixando bem definido que tal prática destina-se, exclusivamente, a reprodução humana, que o total de embriões a serem formados nos laboratórios para cada tentativa deve limitar-se a determinado número previamente definido, e que todos deverão ser utilizados e se congelamento houver, que esse se limite aos elementos gênicos, masculino e feminino, no quantitativo que se fizer necessário para futuras tentativas. “A geração de um embrião fora do ventre materno só será válido quando for para atender ao desejo da maternidade, à reprodução humana e não para criar uma reserva de embriões para pesquisa”.

2. “Deus em sua infinita bondade jamais permitiria que um espírito fosse prejudicado, vinculando-o a um embrião que no futuro seria destruído.”

Indubitavelmente a bondade divina é infinita, e para que ela alcance a todos, indiscriminadamente, Ele cria leis perfeitas e eternas e as disponibiliza para as criaturas. Entretanto a imperfeição humana, fruto do mau uso do livre-arbítrio e da sua falta de sintonia com a razão e o amor, vem opondo obstáculos aos propósitos divinos de felicidade e paz na Humanidade. Por isso tantas dores e sofrimentos entre nós. As leis de Deus são sábias e uma delas é a que rege a concepção que, uma vez acionada, conforme sejam as condições vibratórias e magnéticas que lhe são características, podem receber ou não a assistência mais pormenorizada de equipes espirituais especialistas o que em muito favorecerá o inicio da vida do ser reencarnante.

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Nos casos em que as condições favoráveis a intervenção dos benfeitores espirituais inexistem ficam os renascimentos praticamente à mercê da irresistível força de atração entre os encarnados e desencarnados envolvidos e sintonizados com aquelas forças em desalinho. Tais renascimentos podem ser contabilizados entre os não programados. Assim, mesmo sabendo que a um embrião que será destruído poderá estar vinculado um espírito que fez por merecer tal situação não cabe à criatura humana dar gênese a mais um instrumento de resgate doloroso, dentre tantos por ela já criados, isto porque a bondade divina nos permite retificar ações equivocadas através de vivências reencarnatórias mais educativas e menos traumáticas.

Algumas pessoas argumentam que, conforme a Doutrina Espírita, a um embrião pode não estar vinculado um espírito (bebês natimortos - Pergunta 356 de “O Livro dos Espíritos”). A dificuldade é que, atualmente a Ciência não tem condições de discernir, de forma segura e inequívoca, se um embrião está ligado a um espírito ou se é fruto do automatismo biológico molecular.

Assim, diante dos fatos e dos princípios espíritas relativos ao respeito à vida humana não podemos concordar com experiências que envolvam células-tronco embrionárias, sob pena de estarmos legitimando outro tipo de aborto.  No seu diálogo com a Ciência, o Espiritismo nada teme, pois “caminhando de par com o progresso, jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”, portanto, não abandonemos os preceitos doutrinários nem o adaptemos à ignorância dos materialistas acerca da ciência do espírito. Elevemos sempre nossa voz, para instruir e sensibilizar a Sociedade para atuar em defesa da vida.

Explicações Científicas acerca das Células-Tronco:
As células-tronco provenientes dos embriões têm um alto poder de “diferenciação”, isto é, uma grande capacidade de se transformar em outras células do organismo, pois é a partir dela que as demais células do corpo humano se formam, dando origem às células de várias linhagens (células do fígado, do coração, dos ossos, do cérebro, etc.) que por sua vez dão origem à células de um único tipo dentro da linhagem.

Existem vários tipos de células-tronco e segundo seu poder de “diferenciação” podem ser classificadas em: Totipotentes - podem produzir todas as células embrionárias e extra embrionárias (células-tronco que não pertençam ao embrião);  Pluripotentes – podem produzir todos os tipos celulares do embrião; Multipotentes - podem produzir células de várias linhagens; Oligopotentes - podem produzir células dentro de uma única linhagem e  Unipotentes - produzem somente um único tipo celular maduro. As células embrionárias são consideradas pluripotentes porque uma célula pode contribuir para formação de todas as células e tecidos no organismo, exceto as células da placenta.

Célula-tronco adulta é uma célula encontrada em tecidos diferenciados do organismo humano e pode renovar-se, porém sua capacidade de transformação em outro tipo de célula limita-se ao tipo de célula especializada do tecido do qual se origina. Assim a célula-tronco retirada da pele (Unipotentes) pode se transformar em célula-tronco igual àquela que deu origem a linhagem da qual a pele faz parte (células Multipotentes).



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Segundo o Centro de Estudos do Genoma Humano, a Ciência, no entanto, ainda não identificou, ao todo, em que tecidos essas células-tronco são capazes de se transformar. Pesquisas recentes comprovaram que células-tronco retiradas da medula óssea do próprio paciente portador de problemas cardíacos ajudaram na reconstituição do músculo do seu coração — fato que evidencia esperança concreta para o tratamento de pessoas com problemas coronários. As células-tronco retiradas do sangue do cordão umbilical são o melhor material para substituir a medula óssea em casos de leucemia e que células-tronco de polpa de dentes de leite têm capacidade de originar osso, músculo, gordura, cartilagem e neurônios, quando manipuladas em laboratório. Segundo os cientistas, muitas enfermidades, hoje consideradas incuráveis ou mesmo fatais poderão ser sanadas, como por exemplo, a diabetes, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas, leucemia, Mal de Alzheimer e até mesmo a paralisia. Apesar de todas essas possibilidades apontadas pelos cientistas, o implante de células-tronco ainda não pode ser utilizado na cura definitiva e imediata de certas enfermidades, pois as pesquisas ainda estão na sua fase experimental o que impossibilita afirmar com segurança se o tratamento é eficiente ou não.

Ainda no que se refere às células-tronco adultas, recentemente foram anunciados os resultados iniciais de duas grandes pesquisas: a primeira realizada por uma equipe japonesa dirigida pelo cientista Shinya Yamanaka e outra americana, tendo a frente os cientistas Junying Yu e James Thomson, que conseguiram criar, através de uma reprogramação das células humanas adultas da pele, células que passaram a atuar como células-tronco embrionárias. A segunda realizada por cientistas norte-americanos que conseguiram produzir células-tronco embrionárias sem a necessidade de destruir o embrião. Esse novo procedimento consiste em retirar uma única célula do embrião, em seu estágio inicial, quando ele é formado por poucas células. De acordo com os pesquisadores esse procedimento não prejudica o embrião. Se essas pesquisas e seus resultados forem confirmados e atestados, não haverá necessidade de sacrificar o embrião e, portanto, os questionamentos da Bioética estarão resolvidos.

Fontes consultadas:
KARDEC, ALLAN - O Livro dos Espíritos
EMMANUEL (Espírito)/FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER – Missionários da Luz
AME - ASSOCIAÇÃO MÉDICO-ESPIRITA DO BRASIL – Artigo publicado sobre células-tronco
Artigo sobre Célula- tronco publicado pelo Centro de Genoma Humano.
Dr. WOO-SUKI HWANG – Revista Science
KEITH L. MOORE – Embriologia Química
MOORE E PERSAUD (Embriologistas). Livro Embriologia Humana
EGGAN, K., RIDEOUT III, W.M., JAENISCH, R. - Nuclear cloning and epigenetic reprogramming of   the genome. Science, v. 293, p. 1093-98, aug./2001