Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 19 de junho de 2014

LEI DE DESTRUIÇÃO



“O estouro da crise mundial completa um ano nesta terça-feira (dia 15) com a economia global dando os primeiros passos no sentido da recuperação e o Brasil mostrando um fôlego impressionante. Apesar de a percepção entre os brasileiros ainda ser a de que os estragos do fim da bolha imobiliária americana não foram superados por completo, o que é verdade, no exterior, a sensação é de que o país deixou todos os problemas para trás e deve ser visto como modelo. ‘Aos olhos dos investidores estrangeiros, o Brasil saiu mais forte da crise do que entrou’, resume o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.” Foi assim que Vicente começou o texto Olhar Estrangeiro, postado neste blog na última segunda-feira.

É muito bom ler esse tipo de notícia, que diz que o pior já passou. A última crise econômica mundial nos trouxe dificuldades e momentos de grande apreensão. Algumas vezes, pareceu que nossas conquistas estavam indo ralo abaixo. Depois de tantas lutas, quando pensávamos que era só correr para o abraço, ela se apresentou, em toda plenitude, pronta a derrubar todos, os grande e os pequenos; os desenvolvidos, os em desenvolvimento e os que ainda nem sabem para que lado fica o progresso; até os mais ricos. E fomos invadidos pelo sentimento de que alegria de pobre dura pouco, de que não adianta muito esforço, já que a vida sempre muda as perguntas quando a gente acredita ter todas as respostas.

Crises têm dessas coisas. Mas, se ampliarmos nossa visão, enxergaremos que já passamos por poucas e boas, sobrevivendo a tudo, saindo, lá do outro lado, intelectual e moralmente fortalecidos, mesmo que esfolados. É assim que a vida funciona. E só demora a com ela ganhar quem opta por não enfrentá-la, quem decide dela se esconder, fazendo-se de desentendido ou morto. Desses, inclusive, o mundo certamente cobra maior taxa de superação. Então, o melhor é respirar fundo e encarar o que vier, apoiado na fé de que não há mal que sempre dure. Era mais ou menos sobre isso que, na quarta-feira, eu conversava, por telefone, com Amluz, leitora desta coluna que ainda não conheço pessoalmente, mas a quem dedico este texto.

Falávamos sobre a Lei de Destruição, que alguns Instrutores Espirituais preferem chamar de Lei de Transformação, uma das que formam o conjunto das sábias, eternas e imutáveis normas que regem o Universo. Ela é exatamente aquela que turbina nosso processo evolutivo, forçando-nos a passar pelas mudanças que constituem a estrada do aprimoramento. Sei que é dureza perder o que lutamos tanto para conquistar. Mas é preciso morrer para renascer. Querem ver um exemplo? Uma crise conjugal não costuma ser fácil. Ao contrário, é do tipo que mais dói. E ninguém sai ileso de uma separação, nem mesmo quem desejou e propôs o rompimento. Afinal, as pessoas não se juntam para se separarem, mas para permanecerem unidas.

Entretanto, de repente, o que era lindo pode ficar esquisito e até se tornar horroroso, sinalizando que precisa ser reavaliado. E todos sabemos que, dessa análise, pode restar concluído que o melhor é colocar um ponto final no que um dia foi uma história de amor, a realização de um dos nossos mais caros sonhos. Só que, como somos, desde pequenos, treinados para ganhar, manter, acumular a qualquer custo, entramos em pânico e nos agarramos, com unhas e dentes, ao nosso parceiro, mesmo que aquele convívio não faça mais sentido ou tenha se tornado péssimo.

Acreditando que nada mais de bom nos espera, sentimos o coração destroçado. A partir daí, podemos agir de forma irracional, fazendo e dizendo coisas que jamais imaginamos fazer ou dizer, das quais terminamos nos arrependendo profundamente. Ou podemos buscar o isolamento, a distância, mesmo daqueles que nos amam, esquecidos de que estamos todos no mesmo barco, que somos todos um. Nessas horas, ficamos irreconhecíveis. Nem de longe parecemos aquele bebezinho frágil, mas corajoso, que, um dia, encarou a perigosa e estressante aventura de nascer, mobilizando e encantando tanta gente grande com sua chegada.

Um rompimento não é o fim dos tempos, mesmo que venha a bordo de uma tremenda crise. Ele não quer dizer que o que foi vivido a dois foi em vão, que tudo deu errado, que nada valeu a pena. Ele não é sinônimo de fracasso. Significa apenas que a conjuntura é outra, que o que funcionou por um tempo não funciona mais da mesma forma. Não devemos dar a uma separação mais peso do que ela realmente tem. Ela não deve superar, em importância, os anos felizes que a antecederam. Deve ser vista exatamente como é – o encerramento de mais um capítulo de nossa vida e a oportunidade de recomeço.

A crise econômica que sacudiu o mundo recentemente não foi a primeira nem será a última por nós enfrentada. E devemos dar graças a Deus por isso. Outras virão e nos encontrarão mais fortes do que essa nos encontrou. Com o fim de cada uma delas, diremos adeus a mais uma série de acontecimentos dos quais restarão cicatrizes que nos ajudarão a contar nossa história. Porque é para isso que servem as cicatrizes. Só que, nesse ponto, já estaremos totalmente em outra, vivendo um novo ciclo, plantando o que obrigatoriamente colheremos nos seguintes. Valeu, Amluz! Valeu, irmã! Até sábado, leitores!

Maraci Sant'Ana