Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 19 de junho de 2014

LEI DE DESTRUIÇÃO

LEI DE DESTRUIÇÃO

A) Destruição Necessária e Abusiva — Flagelos Destruidores

Destruição Necessária

A destruição é uma lei da Natureza, porque é necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar; porque isso a que chamais destruição não é mais que a transformação, cujo objetivo é a renovação e melhoria dos seres vivos (LÊ, 72S). Esta questão deixa bem clara a idéia de que a Lei da Destruição é tão somente parte complementar do processo evolutivo de todas as coisas e seres do Universo e que, portanto, cumpre um desígnio providencial de Deus.

Assim é que a palavra "destruição" tem aqui um significado maior e mais abrangente do que o próprio termo supõe, pois a destruição recíproca dos seres vivos parece, à primeira vista, não estar de acordo com a bondade e a justiça divina. Ao invés do sentido literal de "aniquilamento", é preciso entendê-la enquanto transformação, renovação, tanto física quanto moral, que se presta aos desígnios do Criador. O homem, enquanto inteligência finita, submetido que está aos estreitos limites da matéria, consegue abarcar apenas alguns pormenores dessa realidade transcendental da natureza divina e, portanto, não tem a compreensão global das leis eternas e imutáveis do Criador.

O ciclo biológico da vida: destruição, renascimento e regeneração, é uma transformação contínua que visa ao aperfeiçoamento dos seres vivos; é um vir-a-ser ininterrupto, onde cada ciclo representa apenas facetas combinadas entre si, que compõem a manifestação de um todo indestrutível: o princípio inteligente. Assim, o que se destrói sob o impe rativo desta Lei, é tão somente o invólucro exterior, serve de instrumento de trabalho para o Espírito, que segundo suas condições evolutivas. Este invólucro se destrói aqui, para renovar-se mais adiante, em outras existências, transmudando-se em instrumento mais aperfeiçoado, mais adequado ás novas exigências do Espírito, que estará também mais enriquecido e capacitado para exigir formas de manifestação mais condizentes com sua realidade espiritual.

Muito embora se destrua a matéria numa primeira instância, permanece, contudo, a essência espiritual que se aperfeiçoa em cada corpo material, que se regenera ao submeter-se a tais transformações, e este é o objetivo da Lei de Destruição: promover os ajustes necessários para que tudo se renove, pois que tudo se encadeia e tudo é harmonia e equilíbrio nas Leis da Natureza; deste modo, até mesmo no que para a visão circunscrita do homem pareça ser destruição há o comando de uma inteligência superior, que tudo encaminha à Lei do Progresso.

Para se nutrirem, os seres vivos destroem-se entre si, mas apenas para obedecer ao equilíbrio natural decorrente das Leis de Conservação e de Destruição conjugadas. Muito embora a destruidão, enquanto transformação, seja imprescindível para a regeneração dos seres, a natureza lhes dá os meios de preservação e conservação para que nada ocorra antes do tempo justo; se assim não fosse, a destruirão não seria então renovação, já que estaria entravando o desenvolvimento do princípio inteligente, prematuro então para tais progressos.

O homem deve procurar prolongar a sua vida para cumprir a sua tarefa. Foi por isso que Deus lhe deu o instinto de conservação e esse instinto o sustenta nas suas provas (LÊ, 730). O instinto de conservação faz com que o homem passe a repelir a idéia da morte e lute pelo prolongamento de sua vida; deste modo, cabe tão somente a ele aproveitar ou não as oportunidades de crescimento que a jornada terrestre proporciona.

Em mundos mais evoluídos, onde as condições da existência material são mais depuradas, as Leis Morais são adequadas aos seus habitantes; conseqüentemente, a Lei de Destruição também é mais branda, pois estará sempre diretamente relacionada com o desenvolvimento intelectual e moral dos seres que habitam tais mundos.

Destruição Abusiva

A destruição que ultrapassar os limites de segurança e necessidade, como o da caça enquanto mero lazer, por exemplo, revela o atraso moral do Espírito, pois que toda destruição sem um objetivo útil denota uma transgressão às Leis de Deus. O homem tem direito de destruição sobre os seres inferiores da Criação, como os animais e as plantas, a fim de prover sua nutrição e segurança; mas o abuso desse direito, por interesse econômico, poder ou crueldade, é prejudicial, e ele responderá pelos seus excessos. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus (LÊ, 735).

Por outro lado, o escrúpulo exagerado na preservação de animais ou plantas pode levar à idolatria e ao fanatismo, gerando medo e superstição; portanto, tal preservação não chega a ser um mérito para o homem, que estará entravando seu progresso espiritual.

Flagelos Destruidores

Para se entender porque ocorrem os flagelos destruidores é preciso abstrair-se das coisas puramente materiais que compõem o curto espaço de uma encarnação, para adentrar através do pensamento no contexto da vida espiritual. Só assim o homem verá que até mesmo na destruição existe harmonia e equilíbrio, enquanto transformação regenerativa, porque tudo revela uma necessidade evolutiva que escapa aos olhos materiais, e que tudo tem uma razão de ser.

Dessa perspectiva, os flagelos são apenas transtornos inevitáveis no processo geral de evolução do planeta, porque eles propiciam, de um lado, a regeneração moral dos Espíritos, e de outro, a aceleração do progresso intelectual da humanidade. Tais flagelos naturais como as inundações, as intempéries que obstruem a agricultura, os terremotos, vendavais etc., são agentes transformadores da Terra, e que por certo haverão de ser amenizados no futuro, quando o homem, já mais espiritualizado, souber respeitar as leis da natureza.

Os homens de bem que sucumbem aos abalos físicos não sofrem tanto quanto os que ainda estão em condição moral inferior, pois após a desencarnação em tais circunstâncias têm consciência da transitoriedade da matéria e compreendem que a verdadeira vida é a do Espírito. Deus concede ao homem, certamente, outros meios de apressar o seu progresso, que não necessariamente tais flagelos, através do conhecimento do bem e do mal; contudo, a própria condição humana impede ao homem compreender a extensão da misericórdia divina.

Os flagelos destruidores, portanto, representam tão somente ajustes, que fazem parte do perfeito mecanismo dos mundos que povoam o Universo, onde cada inteligência tem o seu papel a cumprir, segundo os impulsos das leis divinas, que mantêm a unidade na Criação. Apesar do aparente mal que ocasionam, determinam significativas mudanças físicas, porque frequentemente alteram as condições de uma determinada região, proporcionando, no futuro, melhores condições de aproveitamento para a humanidade.

Conseqüentemente, beneficiam fisicamente o planeta, não apenas pela renovação de seus elementos, mas principalmente porque despertam no homem, pela dor, sua consciência religiosa, tanto para os que desencarnam em circunstâncias traumáticas, quanto para os que vivenciam as consequências dolorosas de tal devastação.

Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar sua paciência e sua resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo que lhe permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor no próximo, se ele não for dominado pelo egoísmo (LÊ. 740).

Além dos flagelos naturais, há os que decorrem da imprudência e ignorância do próprio homem, como o desmatamento, as poluições ambientais, a fome, a guerra etc. À medida que seus conhecimentos se alargam, que a Ciência se coloca ao seu alcance, o homem concebe meios adequados de prevenção ou neutralização de tais flagelos. É assim que o caminho evolutivo a ser percorrido pelo Espírito será a conquista, não apenas da inteligência, que irá lhe conferir o bem-estar material ao contornar os transtornos físicos, mas principalmente promover a caridade, a fraternidade e a solidariedade entre todos seus irmãos, para assegurar finalmente seu bem-estar moral.