Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 3 de junho de 2014

Células Tronco: Quando Começa a Vida?

Células Tronco: Quando Começa a Vida?


ESPIRITISMO E CÉLULAS TRONCO: QUANDO SE DÁ O COMEÇO DA VIDA, SEGUNDO A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS?

O embrião humano já tem alma?

Quando se dá a ligação do corpo e da alma, segundo os Espíritos?



Muito tem se falado a respeito do uso de células tronco para fins científicos.

Os opositores, defendem que a vida começa na fecundação. Os defensores, acreditam que a vida começa no nascimento.

A igreja católica é radicalmente contra; em seu comunicado de 29 fev 2008, a CNBB reafirma a posição da Igreja Católica contra o uso de células tronco embrionárias para pesquisas científicas. O motivo principal é que o embrião humano já é um ser humano dotado de uma alma imortal, imagem e semelhança de Deus, e que por isso não pode ser destruído.

E o que nos ensina a Doutrina Espírita? Quando se dá o começo da vida, segundo a concepção espírita?

Para falar sobre o tema, temos que considerar em primeiro lugar uma premissa básica dos ensinamentos dos espíritos: a alma não nasce com o nascimento do corpo, e também não morre com a morte do corpo. A alma é anterior à criação do corpo, e a morte não existe, senão para o corpo físico.

Esse é o ponto de partida de nossa discussão.

Kardec abordou a questão da união da alma com o corpo, no Livro dos Espíritos, questões 344 a 360.

Vou reproduzir aqui algumas dessas questões:

LIVRO DOS ESPÍRITOS – LIVRO SEGUNDO

CAPÍTULO VII – RETORNO À VIDA CORPORAL

ITEM II – UNIÃO DA ALMA COM O CORPO – ABORTOS

Pergunta 344: Em que momento a alma se une ao corpo?

Resposta dos Espíritos: “A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus.”

Pergunta 345: A união entre o Espírito e o corpo é definitiva desde o momento da concepção? Durante esse primeiro período, o Espírito poderia renunciar a tomar o corpo que lhe foi designado?

Resposta dos Espíritos: “A união é definitiva no sentido de que outro Espírito não poderia substituir o que foi designado para o corpo; mas, como os laços que o prendem são muito frágeis, fáceis de romper, podem ser rompidos pela vontade do Espírito que recua ante a prova escolhida. Nesse caso, a criança não vinga”.

Pergunta 346: Que acontece ao Espírito, se o corpo que ele escolheu morrer antes de nascer?

Resposta dos Espíritos:“Escolhe outro”.

Pergunta 353: A união do Espírito com o corpo não estando completa e definidamente consumada, senão depois do nascimento, pode considerar-se o feto como tendo uma alma?

Resposta dos Espíritos: “O Espírito que deve animar existe, de qualquer maneira, fora dele. Propriamente falando, ele não tem uma alma, pois a encarnação está apenas em vias de se realizar, mas está ligado à alma que deve possuir”.

Pergunta 354: Como se explica a vida intra-uterina?

Resposta dos Espíritos: “É a da planta que vegeta. A criança vive a vida animal. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa, ao nascer, com a vida espiritual”.

Pergunta 355: Há, como o indica a Ciência, crianças que desde o ventre da mãe não têm possibilidades de viver? E com que fim acontece isso?

Resposta dos Espíritos: “Isso acontece freqüentemente, e Deus o permite como prova, sejapara os pais, seja para o Espírito destinado a encarnar”.

Pergunta 356: Há crianças natimortas que não foram destinadas à encarnação de um Espírito?

Resposta dos Espíritos: “Sim, há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia cumprir-se nela. É somente pelos pais que essa criança nasce”.

Meus comentários:

De acordo com o que acabamos de ler:

1. A união da alma com o corpo só se completa no nascimento. Antes disso, a alma está ligada ao corpo por um laço fluídico “frágil, fácil de romper”, que vai se estreitando à medida que a gestação vai se completando. SOMENTE NO NASCIMENTO SE DÁ A UNIÃO DO CORPO COM A ALMA.

2. A alma está designada para o corpo, mas não vive nele e nem depende dele para viver. O corpo em formação está ligao à alma que deve possuir, e é o corpo que depende da alma para viver, pois é a alma que anima o corpo, e não o contrário.

3. Os espíritos dizem que a vida intra uterina é como “a da planta que vegeta. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa, ao nascer, com a vida espiritual”

Isso nos leva a uma outra reflexão: muitos poderão interpretar, erroneamente, que se a vida intra uterina é vegetativa, e a alma não se une ao corpo antes do nascimento, então o aborto não pode ser considerado um crime aos olhos de Deus, pois o feto ainda não está animado por uma alma.

Vejamos o que nos dizem os espíritos, no mesmo capítulo:

Pergunta 358: O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?

Resposta dos Espíritos: “Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe ouqualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento”.

Minhas considerações finais:

Através das reencarnações sucessivas, o espírito passa pelas muitas experiências que a veste carnal lhe propicia, e pode trilhar seu caminho de evolução. É também pela lei de reencarnação que a justiça divina se faz, pois como espíritos eternos somos responsáveis por nossos atos, e a reencarnação é a possibilidade de reparar nossos erros. Portanto, se muitas vezes pensamos erroneamente que a justiça não se faz, é porque nossa visão se restringe a apenas uma encarnação, mas a vida do espírito não começa nem termina em uma única existência. Daí se explicam tantas desigualdades que vemos – que podem muito bem ser consequencias do que, na outra ponta, consideramos como “impunidades”.

Se Deus é amor, ele também é justiça. Estamos TODOS, indistintamente, sujeitos às mesmas leis, e não há “eleitos”. Todos nós colhemos o que plantamos, e somos responsáveis por nossas ações, no aqui e no Além. A Justiça Divina não permite que nossos erros passem incólumes, mas nos oferece oportunidades incontáveis de redenção, através das vidas sucessivas.

Assim sendo, o aborto delituoso é um crime aos olhos de Deus, porque impede a outro espírito a oportunidade de renascer na carne, para se redimir dos seus erros e prosseguir na sua senda evolutiva.

Por outro lado, as células tronco congeladas em laboratório, não possuem alma. Se bem que o feto já tenha uma alma destinada para ele, e ambos estejam ligados por um liame, a união só se completa no nascimento. Portanto, a conclusão a que chego, depois de ler O Livro dos Espíritos, é que no caso das células tronco, o espiritismo, mais uma vez, vai de encontro à ciência.

Conforme a questão 356, quando perguntados se há crianças natimortas, para as quais nenhum espírito foi destinado, os Espíritos responderam que sim, “há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia cumprir-se nelas”.

É assim que eu entendo as células tronco embrionárias: que não têm espíritos designados para animar seus corpos, pois eles não irão nascer, e não precisam portanto de alma para animá-los. Como dizem os espíritos: “nada devia cumprir-se nelas” – ou seja, essas células não se transformarão em corpos que precisam da alma para serem animados, em outras palavras, para que vivam. Mas, servem de qualquer modo à ciência, na busca do homem por uma vida melhor, com menos dor.

Sobre isso, O Livro dos Espíritos nos traz outro capítulo de estudo, que trata das Leis Morais: Capítulo 8, Lei do Progresso.

Por último, quero salientar que exponho aqui a minha interpretação pessoal do Livro dos Espíritos, e não a posição oficial da doutrina espírita. A esse respeito, fiz uma pesquisa na internet e recomendo um artigo muito esclarecedor escrito pelo dr. Iso Jorge Teixeira, aqui.

Já, o autor espírita Eurípedes Kühl classifica o uso de células tronco embrionárias como aborto, em entrevista aqui.

A coleta de células tronco pelo cordão umbilical ou da medula óssea do próprio paciente conta com amplo apoio dos meios espíritas. A polêmica surge quando se trata da retirada de células-tronco de embriões, uma vez que isto implica na destruição desses embriões.

Nesse ponto, vemos opiniões divergentes no meio espírita. É claro que o espiritismo condena o aborto, mas a questão é saber se utilizar embriões congelados em laboratório pode ser considerado aborto. Aliás, uma das fontes para a coleta desse material seria justamente embriões e fetos provenientes de abortos.

Um outro artigo para consulta, que fala da posição de distintas religiões, pode ser lido aqui.

Está aberto o debate! Eu pouco conheço os aspectos científicos do processo. Mas creio que podemos refletir sobre as implicações éticas e morais desse procedimento, para tentar, mais uma vez, pautar nossas escolhas com base no que aprendemos na doutrina que abraçamos. Ainda não sei qual a posição “oficial” do espiritismo a esse respeito. Ah, que falta o Chico nos faz…



por Liz Bittar
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Os artigos publicados na seção Reflexões, por Liz Bittar são, como o nome diz, minhas reflexões pessoais, e não constituem material doutrinário, nem refletem posicionamento oficial da doutrina espírita. Eles refletem, entretanto, o que eu assimilei da doutrina, e o impacto que esses ensinamentos têm na minha vida, em minhas escolhas pessoais, e na minha forma de ver o mundo.
Como material de consulta sobre o espiritismo, recomendo as obras de Allan Kardec e os mais de 500 livros de Chico Xavier. Os artigos desta seção são apenas reflexões pessoais, ou narrativas de experiências pelas quais passei.
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Liz Bittar