Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 9 de junho de 2014

AS DUAS FACES DA CULPA

AS DUAS FACES DA CULPA

                A culpa nos paralisa no tempo e ficamos soterrados sob os escombros de nossos desacertos. Ela interrompe nossas oportunidades de crescimento no presente em virtude de nossa obstinação neurótica em comportamentos do passado.
                A culpa se estrutura nas crenças antigas do pecado irreparável e nos alicerces do perfeccionismo.
                Só quando aceitarmos que a vida perfeita é uma impossibilidade humana, quando aprendermos que há limites em nosso grau evolutivo, quando nos conscientizarmos de que não temos todas as respostas para o que acontece, quando aceitarmos que somos passíveis de falhas ou enganos, quando abandonarmos o complexo de onipotência, é que a culpa terá acesso restrito em nosso mundo íntimo.
                O arrependimento se distingue da culpa. O arrependimento se manifesta quando tomamos ciência de que sabíamos fazer algo melhor e não o fizemos, enquanto que a culpa é prepotência daquele que crê que deveria ter agido melhor, que deveria ter previsto anteriormente os problemas atuais, porém não o fez propositadamente, porque seu senso crítico era inexpressivo, não possuía consciência individual e coletiva, nem auto-reflexão; em outras palavras, sua consistência evolutiva era limitada.
                A raiz da culpa é o nosso imenso orgulho e as expectativas absurdas de como nós e os outros deveriam ser, de como deveríamos nos comportar diante dos fatos e acontecimentos.
                Quem se arrepende abandona a culpa, pois não mais aprova os velhos comportamentos e atos imaturos. Todavia, não se autocastiga pelo fato de não ser perfeito, nem causa a própria ruína física ou emocional, abandonando-se num mar de lamentação e pesar. Ao contrário: assume a responsabilidade de seus erros e evita repeti-los; ao mesmo tempo, abranda seu julgamento e perdoa a si mesmo.
                Os que tem consciência de culpa estão apenas vivendo experiências evolutivas. O que chamamos de imperfeição no mundo são apenas as lições não aprendidas, que precisam ser recapituladas para que possamos melhorar nossas ações.
                Tudo aquilo que nos parece negativo é apenas um caminho preparatório para alcançarmos um bem maior e definitivo.
                Mesmo os comportamentos que acreditamos nos levar aos caminhos do mal não devem ser vistos como perdição eterna, mas somente equivocadas opções do nosso livre-arbítrio, que não deixam de ser experiências compensatórias e de aprimoramento a longo prazo.
                Use os erros e desacertos para seu crescimento interior. Aprenda com suas culpas e eleve-se para a Vida Maior.
                Em se tratando de culpa, cada qual deve fazer uma auto-análise, visto que a falta é sempre proporcional a cada consciência.

UM MODO DE ENTENDER, UMA NOVA FORMA DE VIVER
Francisco do Espírito Santo Neto – Espírito Hammed