Estudando o Espiritismo

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domingo, 6 de abril de 2014

ESTÉTICA, VAIDADE OU AUTOESTIMA?

ESTÉTICA, VAIDADE OU AUTOESTIMA?

O excelso codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, aborda no capítulo XI da
obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, o tema: “AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI
MESMO”. Começa sua explanação dizendo que o maior mandamento consiste em “fazermos
aos outros o que queiramos que os outros nos façam” e cita a seguinte passagem evangélica:
“Os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca dos saduceus, reuniram-se; e um deles, que
era doutor da lei, para o tentar, propôs-lhe esta questão: - ‘Mestre, qual o mandamento maior
da lei’. Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua
alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo,
semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham
contidos nesses dois mandamentos” (MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40).
Importante à exortação do Cristo, complementando a excelsa lição, dizendo: “Amarás
o teu próximo como a ti mesmo”. O ensinamento é bem claro, porquanto é imperioso que o
indivíduo queira muito bem a outrem, na mesma proporção em que aprecia a si próprio. Sendo
capaz de amar-se, é possível, igualmente, ser propenso a ter afeição pelo próximo. Portanto é
imperioso que a autoestima esteja em alta e o ser esteja bem consigo mesmo.
Além dos cuidados de higiene, alimentação e lazer, não podemos nos descuidar da
aparência, utilizando-nos, com equilíbrio, sem excesso, dos recursos modernos proporcionados
pela medicina, como o Laser, o Botox (medicamento injetável que relaxa a musculatura,
fazendo com que as marcas de expressão e rugas fiquem menos acentuadas), aplicação de
substâncias de preenchimentos e cremes cosmetológicos, na dermatologia estética, e os
implantes, a lipoaspiração e o embelezamento facial, na cirurgia plástica.
Não devemos nos esquecer dos idosos, que deveriam receber amplamente todos
os cuidados médicos atuais, porquanto são acometidos, no decorrer dos anos, de acentuada
desidratação e perda de elasticidade da pele, como igualmente de queda acentuada dos níveis
hormonais, ressaltando também a grande tendência ao insulamento e à depressão. Ainda mais,
cada vez mais se nota a sociedade dando ênfase à desvalorização da velhice, desconsiderando os
valores gerontocráticos e, infelizmente, associando produtividade e vitalidade a uma aparência
jovial.
Se alguém pode utilizar a tecnologia atual para a melhoria de sua aparência, atenuando
as alterações de envelhecimento, por que não fazê-lo? Na medida em que reforça sua
autoestima, melhorando a autoconfiança, mais apto estará para a vida. Então, mais inclinado e
disposto a "amar o próximo como a si mesmo".
É importante não confundir esse sentimento de autoafeição com vaidade, a qual denota
o desejo inveterado de atrair admiração ou homenagem, coisa fútil e frívola.
O Espiritismo, sendo o Consolador prometido por Jesus, de maneira alguma pode ser
apontado como castrador, punitivo e contrário ao progresso atual. O desenvolvimento científico
em grande escala, principalmente na área da medicina, canalizado para o bem da criatura, é de
fato concessão da Providência Divina.
O bondoso médium Francisco Cândido Xavier dá sua opinião acerca da correção
de problemas estéticos, através da cirurgia plástica: "Nós pensamos com os amigos que se
comunicam conosco, que nem toda provação deve perdurar durante a existência inteira. Chega
o momento em que esta provação pode ser extinta e renovada para o bem, reformada para a
felicidade da criatura.

"A cirurgia plástica regeneradora é uma ciência que vem em benefício de nós outros,
porque muitos de nós precisamos do rosto mais ou menos bem composto, das pernas fortes ou
mesmo de outros sinais morfológicos do corpo corretos para cumprir bem a tarefa.
"Conheço uma amiga que é manequim e ganha a vida para sustentar o marido que está
num sanatório. Por que razão impedir que ela faça a cirurgia plástica nos seios, quando estes
estão defeituosos?" (Extraído do jornal "Folha Espírita", outubro de 1996).
Alguns profitentes mais conservadores da Doutrina codificada por Kardec
manifestam desagrado e repúdio às inovações científicas que visam ao embelezamento e ao
rejuvenescimento da criatura humana.
Lembro-me que, após assistir proveitosa palestra de cunho doutrinário espírita, uma
pessoa abordou-me, manifestando desagrado por constatar que o orador apresentava cabelos
tingidos.
À irmã, a qual confundia autoestima com vaidade, disse que recursos modernos,
possibilitando remoçar os velhos, deveriam ser cada vez mais utilizados.
Citei também os textos evangélicos sobre o "Maior Mandamento", frisando-lhe,
igualmente, que deixasse de observar comportamentos e atitudes do próximo e olhasse
especificamente para si própria, como advertiu o Cristo no Sermão da Montanha (Mateus 7:1-
5).
Podem alguns conservantistas utilizar princípios doutrinários espíritas para justificação
da sua hostilidade à correção estética, afirmando que não adianta reparar defeitos na vestimenta
orgânica, sem atuação em nível de perispírito, isto é, faz-se uma correção no corpo físico,
esquecendo-se do envoltório espiritual, que se mantém inalterável.
Será bem isso?
A Codificação Kardeciana ensina exatamente o contrário, dizendo que a matéria sutil
do perispírito não possui a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo somático.
Sendo, portanto, flexível e expansível, a forma que toma não é absoluta, amoldando-se à
vontade do Espírito, que lhe pode dar a aparência que entenda. O envoltório extrafísico se dilata
ou contrai, se transforma: presta-se a todas as metamorfoses de acordo com a vontade que sobre
ele atua (O Livro dos Médiuns, pág. 73 - Edição FEB).
A mesma intensidade de pensamento que leva o indivíduo a buscar o rejuvenescimento
na arena física pode agir de forma idêntica na intimidade perispiritual.
Em verdade, a vestimenta extrafísica do ser é resultante do que pensa e faz, segundo a
força da sua vontade e consonante o grau evolutivo em que se encontra, como criatura imortal
diante da Eternidade. Portanto, se a casca tornou-se jovem, o miolo pode acompanhar também o
processo.
Na realidade, a jovialidade, qualquer que seja a idade cronológica, é atributo do
Espírito.  

Dr. Americo Domingos Nunes Filho
Ass. Médico-Esp. do RJ (www.ame-rio.org.br)
Ass. de Divulgadores do Espiritismo do RJ (www. ade-rj. org.br)