Estudando o Espiritismo

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domingo, 23 de março de 2014

Vícios

Vícios

Sérgio Biagi Gregório

1) O que se entende por vício?
Vício é o defeituoso, o que se desvia do bom caminho. Na ética, é a disposição habitual a um gênero de conduta, considerada vituperável, como imoral. É o contrário de virtude. É o hábito mau em oposição à virtude, que é o hábito bom. Imperfeição, defeito que torna uma pessoa ou coisa imprópria para o fim a que se destina.

2) Como o vício é visto no contexto do Velho e do Novo Testamento?

No âmbito do Velho Testamento, Job diz que se torna necessário dirigir o coração para Deus e afastar da vida a iniquidade e a injustiça, a fim de fugir aos vícios, tais como, a mentira, a fraude, o adultério etc. No contexto do Novo Testamento, há a enumeração, feita por Cristo, dos vícios que têm a sua raiz no coração: os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios.

3) O vício representa uma deficiência moral?

Ao longo do tempo, o conceito de vício tem se debatido com o de doença. A medicina contrapõe-se à tese de que o vício é um estado condicionado, que pode ser descondicionado pelas técnicas psicológicas.

4) Em se tratando dos vícios sociais, qual o mais letal?

Não resta dúvida que é tabagismo, pela dependência do fumante à nicotina. Esta dependência causa problemas graves de saúde, principalmente o enfisema pulmonar.

5) Como anda o tabagismo no Brasil?

De acordo com a Pesquisa Especial de Tabagismo realizada pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde, entre 1989 e 2008 o percentual da população brasileira fumante com 15 anos ou mais caiu de 32% para 17,2%. O estudo revela ainda que 52,1% dos fumantes planejavam deixar o vício. Estima-se que o cigarro e outros derivados do tabaco sejam responsáveis por cerca de 200 mil óbitos por ano no Brasil. (1)
6) Quais são as características do viciado em drogas?

A Organização Mundial da Saúde (1981) propôs as seguintes:

— compulsão subjetiva a ingerir droga;

— desejo de suspender o consumo embora a ingestão continue;

— padrão estereotipado, inflexível, de ingestão;

— adaptação dos sistemas nervosos afetados pela droga, levando à tolerância dos seus efeitos e sintomas de supressão quando a droga é suspensa;

— prioridade do comportamento de busca da droga sobre todas as outras atividades;

— rápido restabelecimento da síndrome quando se quebra um período de abstinência.

7) Eliminando-se as drogas, elimina-se o problema?

De acordo com Jandira Masur, em O Que é Toxicomania, Coleção Primeiros Passos, 91, tenta-se resolver um determinado problema pelo tripé: agente, hospedeiro e ambiente. No caso da tuberculose, o agente é o bacilo de Koch, o hospedeiro é o homem. Dependendo do ambiente, a tuberculose pode ou não manifestar-se. Eliminando-se o agente (bacilo de Koch), resolve-se o problema. Teoricamente deveria funcionar também no caso das drogas. Acontece que as drogas não são vírus nem bactérias. Assim, o homem é ao mesmo tempo o hospedeiro e o agente. Observe a Lei Seca, implantada nos Estados Unidos, entre 1919 e 1933. Diz-se que nunca se bebeu tanto quanto naquela época.
8) Relacione vício e liberdade.

O vício, seja de que espécie for, é uma ação contrária à do bem. De acordo com a lei natural, toda ação que é contrária à do bem deve ser refeita para atingir o seu fim, que é o progresso do Espírito. Nesse caso, a prática do bem amplia a liberdade e o vício a restringe. O tempo gasto na reparação de uma má ação é o que se perde no progresso moral e espiritual.

9) Disfarçar o vício é um vício?

Sim. Muitas vezes dizemos que a gula é sinônimo de necessidade proteínica; a lascívia, de necessidade fisiológica. A ira é embelezada com a expressão: "cólera sagrada"; a cobiça é encoberta com a desculpa da previdência.

10) Que tipo de erro comete o ser humano na sua intenção de combater o vício?

É combater a causa pelo efeito. Somente quando tomamos consciência do móvel que produz a ação é que podemos ter segurança na eliminação do efeito. Na realidade, não somos nós que deixamos os vícios; são eles que, desprovidos da nossa atração, deixam-nos.

11) Dentre os vícios, qual o mais radical?

De acordo com a Doutrina Espírita, o egoísmo é o mais radical dos vícios. Dele deriva o mal. É sobre ele que o ser humano deve envidar todos os esforços. O egoísmo é a verdadeira chaga da sociedade. "Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar do seu coração todo sentimento de egoísmo, porque é incompatível com a justiça, o amor e a caridade: ele neutraliza todas as outras qualidades". (2)

(1) Página Einstein em 10/05/2010.

(2) Pergunta 913 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

São Paulo, maio de 2010.

Em forma de palestra: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/palestra/vicios-filosofia-e-espiritismo.htm

Apresentação em PowerPoint: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/powerpoint/doutrina/vicios-e-espiritismo.ppt

Mais textos em PowerPoint: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/powerpoint/powerpoint.htm