Estudando o Espiritismo

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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Mito e Razão (Logos)


 Sérgio Biagi Gregório

1) Qual o significado de mito?

Vulgarmente, a sua noção está associada à idéia de alucinação, delírio, fantasia difícil de se realizar. Em sentido próprio, é a procura de explicação para as necessidades vitais do ser humano. Uma dessas necessidades refere-se à criação do mundo e dos seres humanos.

2) Qual o significado de logos?

Verbo Divino. Nome atribuído a Jesus Cristo. Deus considerado como razão. Para os propósitos de nosso estudo, logos significa simplesmente razão.

3) Como nascem os mitos?

Os mitos nascem pelo medo ao desconhecido. O ser humano, não sabendo explicar a origem da vida e do mundo, cria o mito. Este lhe dá tranqüilidade à desordem interna.

4) E o nascimento da filosofia?

O nascimento da filosofia, que se deu na antiguidade clássica grega, tinha por objetivo desconstruir a visão mítica, isto é,  fantasiosa do mundo. Daí, dizer-se que o mito é atraso, a filosofia traz o progresso; o mito é treva, a filosofia é luz...

5) Como podem ser divididos os mitos?

Os mitos podem ser divididos em “mitos com Criação” e “mitos sem Criação”. Nos “mitos com Criação”, admite-se o surgimento do Universo num tempo zero (Deus revelado do Cristianismo). Nos “mitos sem Criação”, não se admite um tempo zero (Universo pulsante do hinduísmo).

6) O que evoca o sentido figurado do mito?

Evoca a narração fabulosa e fictícia, contrária à verdade.  Equivale a engano, falsidade.  Exemplo: o mito marxista da vitória dos oprimidos, o mito do super-homem com a sua vitória sobre o espaço e o tempo, o mito da raça pura etc.

7) Enquanto faculdade, o que é a razão?

É a faculdade de raciocinar discursivamente, de combinar conceitos e proposições. Para Descartes, é a faculdade de “bem julgar”, ou seja, de discernir o bem do mal, o verdadeiro do falso.

8) O que é a razão enquanto objeto de conhecimento?

É o princípio de explicação, principalmente entre causa e efeito. Seu sentido original está ligado à expressão “livro da razão”, em que se registram de um lado as receitas e do outro as despesas, para depois dar conta.

9) Há uma evolução linear do mito à razão?

A tese da evolução linear do mito à razão não só é historicamente inexata como também não consegue explicar certos fenômenos culturais complexos. No caso extremo, o mito é rebaixado a uma fábula sem valor.

10) Qual é a fronteira entre o mito e o logos?

A fronteira entre o mytho e o logos não é percebida com facilidade. Observe a astrologia e as demais pseudociências do universo: vindas para desmoronar o sacrifício das religiões oficiais, terminam criando o cosmo como um grande Anthropos, um homem cuja inteligência reside no movimento eterno e harmônico das esferas celestes, cujos olhos correspondem ao Sol e à Lua e a cujos pés jaz a matéria, num jogo sutil de correspondências regido por um único tema que varia até o infinito.

11) O que falar do mito-logos do cristianismo?

O mytho/logos do cristianismo primitivo apresenta uma novidade: o logos se divinizou e ao mesmo tempo se personalizou a ponto de coincidir com a própria pessoa do fundador.

Bibliografia Consultada

GIL, F. (Editor). Enciclopedia Einaudi. Lisboa: Imprensa Nacional, 1985-1991.

LALANDE, A. Vocabulário Técnico e Crítico de Filosofia. Tradução por Fátima Sá Correia et al. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed. São Paulo: Matese, 1965.