Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para a Nossa Cura

Luiz Carlos Formiga
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O teólogo Leonardo Boff lembra que “a maioria dos profissionais de saúde perderam a visão da totalidade. O ser humano inserido num todo maior e a doença como uma fratura nesta totalidade e, ainda, a cura como sua reconstrução.” (1)

Em Saúde e Doença, a médica comentando a fratura na totalidade afirma que “para entendermos o estado de saúde e doença é primordial compreendermos seus conceitos.“ Foi por isso que destacou autores diversos de escolas distintas ao longo do tempo. Citou a Medicina Ayurvédica, a tradicional chinesa, Hahnemann no seu Organon da Medicina, as Lições de Filosofia Homeopática, com James Tyler Kent e a Medicina Floral. (2)

Boff nos diz que “há uma instância em nós, que responde pelo cultivo desta totalidade, que nos alimenta o sentimento de pertença e que zela pelo eixo estruturador de nossa vida: é a dimensão do espírito. De espírito vem espiritualidade. Espiritualidade é toda atitude e atividade que favorece a expansão da vida, a relação consciente, a comunhão aberta, a subjetividade profunda e a transcendência como modo de ser, sempre disposto a novas experiências e a novos conhecimentos.“

Isso nos faz lembrar os postulados de uma ética transdisciplinar, aquela que não aceita a atitude que recusa o diálogo, a discussão, seja qual for sua origem – de ordem ideológica, científica, religiosa, econômica, política ou filosófica. O reconhecimento da existência de diferentes níveis de realidade, regido por lógicas diferentes é inerente à atitude transdisciplinar. (3)

Talvez seja também por isso que Leonardo Boff tenha sugerido ao médium de cura, da Organização Paracientífica Adolfo Fritz a mudança para “Transcientífica”. (4)

Assim, poderemos entender os resultados satisfatórios obtidos nas irmandades, tendo como ponto de partida os 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. (5)

O dependente químico no fundo do poço apresenta fratura na totalidade, personalidade frágil, vai encontrar o apoio necessário na visão transdisciplinar. Ao examinarmos a orientação dos 12 Passos, vamos perceber que o descrente pode espernear, mas um Poder Superior pode lhe devolver a sanidade. Na realidade há um poderoso incentivo ao desenvolvimento de sua inteligência espiritual.

Todo descrente deveria ser informado que “neurobiólogos e estudiosos do cérebro identificaram a base biológica da espiritualidade. Ela se situa no lobo frontal do cérebro. Que quando são produzidas experiências de veneração, devoção e respeito é possível se verificar uma alta de vibração em hertz dos neurônios. Estamos diante do fenômeno chamado “ponto Deus” no cérebro ou da emergência da “mente mística”, captando a presença do Inefável dentro da realidade. Este dado constitui uma vantagem evolutiva do ser humano que, enquanto homem-espírito, percebe a Última Realidade penetrando em todas as coisas. Este ponto Deus se revela por valores intangíveis como mais compaixão, mais solidariedade, mais sentido de respeito e de dignidade. Despertar este “ponto”, tirando as cinzas que a cultura racionalista e materialista cobriu, é permitir que a espiritualidade aflore.“

Nos 12 passos há estímulo à percepção de uma Inteligência Suprema, Causa Primária, que deu origem às galáxias, o que nos torna mais humildes, menos manipuladores, e nos impele a rogar que Ele, Ela, nos ajude a nos libertarmos de nossas imperfeições. Diante dessa Inteligência e perante outro ser humano conseguimos finalmente admitir a natureza de nossas falhas e nossos defeitos de caráter. Começa aí o fenômeno de nossa reconstrução e escalada evolutiva.

Boff diz que no termo, espiritualidade não é pensar Deus, mas senti-Lo mediante este órgão interior e fazer a experiência de sua presença e atuação a partir do coração. Ele é percebido como entusiasmo (em grego significa ter um deus dentro) que nos toma e nos faz saudáveis e nos dá a vontade de viver e de criar continuamente sentido de existir e de trabalhar. Trata-se de potenciar aquelas energias que são próprias da dimensão espiritual tão válida como a inteligência, a libido, o poder, o afeto entre outras dimensões do humano. Estas energias são altamente positivas como amar a vida, abrir-se ao demais, estabelecer laços de fraternidade e de solidariedade, ser capaz de perdão.

Quando falamos na terapia do perdão, não sete vezes mas setenta vezes sete, estamos também, lembrando que a mágoa, o estresse produz imunossupressão dos mecanismos que nos defendem, sob o ponto de vista biológico, das infecções, das doenças malignas e das enfermidades auto-imunes. (6)

Nos 12 passos aprendemos que por meio da prece e da meditação podemos melhorar o contato consciente com Deus, na forma que O concebemos, e desta forma teremos fé e coragem para nos prontificarmos a deixar que Ele nos ajude a remover nossos defeitos de caráter.

Boff diz que pertence também ao mundo espiritual, a esperança imorredoura de que a vida continua para além da morte. O ponto Deus no cérebro se revela através de tais convicções espirituais altamente terapêuticas. A morte aparece então como uma sábia invenção da vida para esta que possa continuar num outro nível mais alto.

Anteriormente, no NEU-Fundão, indagaram sobre a nossa visão da morte. (7) A resposta depende da vertente da ciência em que se insere o pesquisador. Faça-o responder primeiro a pergunta: O que somos? Se ele responder que somos impulsos eletroquímicos num biocomputador que se originou por acaso, num universo de partículas matérias mortas e que se movimentam aleatoriamente, certamente a morte é o nada. Embora isto seja apenas uma questão de fé, uma vez que a ciência ainda não o demonstrou.

A vertente espiritualista da ciência possui outra leitura. Poderíamos dizer que a morte é uma mudança de estilo de vida. As evidências científicas estão sempre apontando neste sentido, embora Jesus já nos tenha dado aula prática.

Certa vez um pesquisador da mediunidade perguntou a um espírito orientador qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo. Resposta não poderia ser melhor quando pensamos em inteligência espiritual. Afinal, melhor a coroa de espinhos na fronte do que as brasas na consciência! (3)

Quociente Intelectual... Quociente Emocional... Inteligência Espiritual! Necessidade de se mensurar? Ou de se conhecer? O homem espiritual é “pleno”... Não existem fraturas... Percebe a essência da flor! (8, 9)

Estamos no século XXI, com o conhecimento tecnológico moderno como grande aliado em todos os campos da vida, e com o conhecimento milenar do equilíbrio entre as forças vivas e vibratórias da Natureza. Devemos valorizar esses presentes e explorá-los com a razão e o Amor Maior que o Criador nos deu, para que entendamos que a vida é o maior tesouro, oportunidade única de crescimento, ter medo da vida nos tira oportunidades impares de crescer individualmente e coletivamente. Que possamos encarar a vida com alegria e gratidão por todas as coisas que o Grande Criador colocou nesse planeta para a nossa cura. (2)



Notas:


(1)http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2012/04/29/a-importancia-da-espiritualidade-para-a-saude/
(2) http://orebate-jorgehessen.blogspot.com/2012/02/saude-e-doenca.html
(3) http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/etica-sociedade.html
(4) http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2012/07/escala-de-valores-cura-e-prevencao.html
(5) http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2012/03/12-passos-espiritualidade-e-alcoolicos.html
(6) http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2011/08/estou-muito-deprimida-magoada-nao-posso.html
(7) http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.10.htm
(8) http://juli.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=2015107
(9) http://juli.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=2016352



LUIZ CARLOS FORMIGA é professor universitário da UFRJ e UERJ, aposentado.

http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/F_autores/FORMIGA_Luiz_tit_Para_nossa_cura.htm