Estudando o Espiritismo

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sábado, 14 de dezembro de 2013

IDENTIDADE CULTURAL ESPÍRITA

IDENTIDADE CULTURAL ESPÍRITA
FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESTADO DA BAHIA
DIRETORIA DE ORIENTAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA

           IDENTIDADE CULTURAL ESPÍRITA

*Ruth Brasil Mesquita

                       

1. Introdução

        A compreensão da Identidade Cultural, de modo geral, do Povo Brasileiro e Espírita,em especial, é relevante porque traduz as possibilidades evolutivas da alma no processo sócio-cultural de civilização.  Por esse motivo Allan Kardec destaca: “Em suma, o que caracteriza a revelação espírita é o fato de ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.” (A Gênese, item l3 – ed. FEB 2009).
        O prof. Herculano Pires, prefaciando a obra de Humberto Mariotti, “O Homem e a Sociedade Numa Nova Civilização,” adverte: (...) “o Homem e a Sociedade numa Nova Civilização que não surgirá por acaso, mas através, da vontade consciente do homem atual, que é o único possível construtor do futuro,” considerando-se que “os valores existenciais projetam-se além da existência” (...) portanto, “as injustiças sociais, geradas pela brutalidade egocêntrica, não podem ser sanadas por uma brutalidade sociocêntrica.”
       Autores, desencarnados e encarnados, tem demonstrado o processo histórico e espiritual no desenvolvimento da Identidade Cultural dos Povos, como uma construção; os Espíritos Superiores revelam os propósitos divinos executados pela ação de Missionários, oriundas do Mundo Espiritual, como por exemplo:
Emmanuel – “A Caminho da Luz;” Humberto de Campos –“ Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (F. C. Xavier); Duílio Lena Bérni –“ Brasil, Mais Além.”                      

         A veneranda Joanna de Ângelis faz uma síntese dos desafios da atualidade, com base no processo de fragmentação da Identidade Cultural na sua mensagem “Vazio Existencial,” psicografada por Divaldo Franco (Presença Espírita, 2009, n. 270), da qual destacamos os seguintes trechos:
        “A alucinação midiática, a serviço do mercantilismo de tudo, vem, a pouco e pouco dessacralizando o ser humano, que perde o sentido existencial, tombando no vazio agônico de si mesmo.
      Numa cultura eminentemente utilitarista e imediatista, o tempo-sem-tempo favorece a fuga da autoconsciência do indivíduo para o consumismo tão arbitrário quão perverso, no qual o culto da personalidade tem primazia (...).
      Nessa volúpia hedonista, o egotismo governa as mentes e condutas, produzindo o  isolamento na multidão e a solidão nos escaninhos da alma.
     É inevitável, nessa cultura pagã e perversa, a presença do vazio existencial nas criaturas humanas, suas grandes vítimas.”
                                                                                                                                                                           

2. Significado

       “Identidade é igualdade completa; cultural é adjetivo de saber, logo a junção das duas palavras produz o sentido de saber se reconhecer (...). identidade cultural é o sentimento de um grupo ou cultura, ou de um indivíduo, na medida em que é influenciado pela sua pertença a um grupo ou cultura; é um sistema de representação das relações entre indivíduos e grupos, que envolve compartilhamento de patrimônios comuns como à língua, a religião, as artes, o trabalho, os esportes, as festas entre outros. (Lúcia Ribeiro, pesquisadora da USP/ Google – Identidade Cultural,  7.10.09). Nesse texto destaca-se a opinião do Prof. Milton Santos, sobre a dinâmica do “conhecimento e o saber que se renovam do choque de culturas, sendo a produção de novos conhecimentos e técnicas, produto direto da interposição de culturas diferenciadas - como o somatório daquilo que anteriormente existia,” para ele, “a globalização tendia a uniformizar grupos culturais e logicamente uma das conseqüências seria o  fim da produção cultural, enquanto geradora de novas técnicas ; (...) isto se refleteria na perda de identidade, primeiro das coletividades, podendo ir até o plano individual.”
Vale a pena considerar a  perda de identidade como um problema tão sério que é motivo de preocupação da ONU - Organização das Nações Unidas, por essa razão fez publicar  em “O Correio da UNESCO”, edição de outubro, 1982, um artigo do antropólogo e físico senegalês, Cheikh Anta Diop, intitulado: “Identidade Cultural – Os três Pilares da Cultura”, no qual declara: “reduzido a sua dimensão econômica o desenvolvimento tende a destruir o talento específico dos povos, que se manifesta através de sua capacidade criadora (...) É a  cultura – síntese de todas as atividades criadoras de um povo – que confere ao desenvolvimento sua verdadeira feição”

3. Nos três Pilares, a Esperança

       Para Cheikh Diop o fato da Identidade Cultural ser construída com base nos três pilares  da cultura representa uma possibilidade   significativa na preservação das conquistas evolutivas do ser humano: “A identidade cultural de um povo está ligada a três grandes  fatores - histórico, lingüístico e psicológico, este último, em sentido lato, podendo englobar as particularidades religiosas - cuja importância varia segundo as circunstâncias históricas e sociais de cada sociedade.”  
        Isto porque o fator Histórico é a base do exercício consciente da cidadania e da soberania de um povo; o Psicológico é o que permite, no processo das mutações evolutivas temporárias e de impermanências, a referência do Si mesmo, o reconhecimento da individualidade e  identidade, nossa e do outro, ou seja, uma melhor compreensão do próximo, com a real possibilidade  de interações harmônicas e relações dialógicas  com povos de diferentes etnias e culturas.
        O fator Lingüístico é tão importante que no seu artigo Diop cita Montesquieu:enquanto um povo vencido não tiver perdido sua língua, pode ter esperança.”

4. No Aspecto Tríplice, a Certeza

       Na sua transdisciplinaridade, o ESPIRITISMO é a ciência das leis que regem o princípio espiritual; como filosofia é a síntese capaz de “enfrentar a razão face a face  em todas as épocas da humanidade’, além de solucionar “o problema do Ser, do destino e da dor;” e, como religião   oferece-nos  as bases sólidas da moral do Cristo – nosso Modelo e Guia, para a realização maior a que todos estamos destinados: “gravitar para unidade divina, tal é o objetivo da Humanidade,” através do trabalho, porque, “o homem quintessencia o espírito pelo trabalho (...) é somente pelo trabalho no corpo que o espírito adquire conhecimento”  (Allan Kardec) .
      Vale considerar que a teoria que fundamenta o saber espírita, sobre as questões relevantes da vida (reencarnação, evolução, desencarnação, mediunidade, etc.) foi estruturada a partir de fatos comprovados e, depois, ratificados por cientistas: primeiro, os Metapsiquistas; depois, os Parapsicólogos, Psicotrônicos, Psicobiofísicos que só a confirmaram.

  5. A Identidade Cultural Espírita

       A História do Espiritismo integra o programa divino de REGENERAÇÃO MORAL DA HUMANIDADE, conduzido por Jesus Cristo, cujo objetivo principal é resgatar os ensinamentos morais do Evangelho, na sua integridade e como fonte de água pura, dessedenta a humanidade carente e fragmentada que necessita de elementos mais verdadeiros e significativos na construção de sua identidade como sujeito co-criador que necessita desenvolver uma cidadania planetária de evolução, capaz de lhe oferecer um novo e significativo sentido de vida. É importante considerar que o Cristianismo e o Espiritismo surgiram num momento histórico da HORA ESTELAR dos povos Judeu,Romano e Francês, num cenário sócio-cultural marcado pelo apogeu material e, ao mesmo tempo, pelo declínio da ESPIRITUALIDADE cujas conseqüências, para essas civilizações, foram crises de valores éticos, morais e perda de referencial significativo de identidade.
       Cabe ao BRASIL, também na sua HORA ESTELAR, como “CORAÇÃO DO MUNDO E PÁTRIA DO EVANGELHO,” a missão planetária de estabelecer um relacionamento internacional marcado pelo respeito, fraternidade, solidariedade e convivência pacífica além de compartilhar suas riquezas, nas relações de troca, sem subtrair ou colonizar outros povos, tornando-se referência mundial  na solução dos desafios  que afetam a Humanidade.
       Compete ao Movimento Espírita Brasileiro a DIFUSÃO DA MENSAGEM DO ESPIRITISMO no mundo, na sua INTEGRALIDADE, sem omissões ou adulterações, legitimada pela prática da CARIDADE  e respaldada pelo  TRABALHO, SOLIDARIEDADE e TOLERÂNCIA, unidos, uns aos outros, pelo Amor de Deus e vinculados pela Paz do Cristo.
                                                                                                                                                                                         



        O desenvolvimento da Identidade Cultural Espírita constitui-se, verdadeiramente, na IDENTIDADE CRISTÃ ESPÍRITA, pela vivência desafiadora, gradual e contínua, de OHOMEM DE BEM, para se chegar aos BONS ESPÍRITAS, num verdadeiro processo de vir-a-ser, exatamente como a Identidade do Brasileiro: POVO NOVO!
        “No cenário das Américas, não somos Povos Transplantados que representam nas Américas tão-só a reprodução de humanidades e de paisagens européias; nem somosPovos Testemunhos (...) oriundos de altas civilizações que vivem o drama de sua dualidade  cultural e o desafio da fusão de uma nova civilização.  Cabe aos POVOS NOVOS a tarefa infinitamente mais complexa, porque uma coisa é reproduzir no além-mar o mundo insosso europeu, outra é o drama de refundir altas civilizações; um terceiro desafio, muito diferente, é o nosso, de REINVENTAR O HUMANO, criando um novo gênero de gentes, diferentes de quantas haja. (Prof. Darcy Ribeiro in “O Povo Brasileiro, a Formação e o Sentido do Brasil,” 1995, Companhia das Letras)
         Compreendemos a reinvenção do humano como a essência da Identidade Crístã Espírita que se desenvolve Cristíca na sua evolução e transcendência. A presença de Paulo se faz atual, no tempo além dos milênios, porque Kardec e os Espíritos Missionários nos remete à palavra bendita: Não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim, conscientes de que o Reino dos Céus está dentro de nós...

        É a Boa Nova que se faz canção de esperança para os tempos atuais!

6. Conclusão

       Nos Planos de Deus, nada é obra do acaso.  Tudo se realiza conforme propósitos superiores, num encadeamento evolutivo, sempre com o concurso de Benfeitores na “fraternidade de homens e Anjos” na tarefa de ESPIRITIZAR, QUALIFICAR eHUMANIZAR, como nos propõe a Benfeitora Joanna de Angelis.
       A nós, Dirigentes Espíritas compete-nos realizar, com gratidão, as diversas tarefas-meio da nossa redenção, conscientes que estamos evoluindo “desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo.”

                                                     *Ruth Brasil Mesquita

(Psicóloga, Pedagoga e atual Diretora de Orientação e Qualificação da Federação Espírita do Estado da Bahia – ruthbrasil.pe@gmail.com.)