Estudando o Espiritismo

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sábado, 18 de maio de 2013

Gerúndio: “melindrando”; particípio: “melindrado”


Gerúndio: “melindrando”; particípio: “melindrado”

Author: Velhinho


Defendemos certa ocasião que a indignação poderá ser fruto de nossa autoridade… Face o exposto, consideremos ser lógico que alguns estudos ou reflexões tenham origem em observações de comportamentos um tanto inadequados, nossos ou de outrem, que nos levem, primeiro a policiar-nos ou envidarmos esforços visando um auxílio mútuo.

… São Luís nos orienta através de resposta à pergunta que lhe é feita: “Ninguém sendo perfeito, seguir-se-á que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo? ‘… cada um de vós deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja tutela vos foi confiada. Mas, por isso mesmo, deveis fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não, como as mais das vezes, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível.’”

… Consideramos muito tênue a linha das razões que separam o melindrado do melindrador, visto que – ambos em recuperação – estão inseridos numa caminhada de aprendizados e acertos, vacilos e reabilitações. Atentemos, pois, que:

Somos todos Funcionários Públicos de um Divino Governador e em fazendo parte de seu secretariado, precisaremos seguir com todo o cuidado possível suas Divinas Orientações. Que nossos proventos não se calquem em esculachos, pitos ou repreensões punitivas, mas se revistam da mais misericordiosa compreensão e fraternidade;
Muitas vezes, chegamos à Casa de Socorro, Trabalho e Oração, afoitos, querendo mostrar serviço. A despeito da hierarquia que fraternalmente oriente os serviços dessa Casa, não frustremos as boas iniciativas desses irmãozinhos cheios de boas idéias e, se o fizermos que seja dentro da mais imaculada caridade;
A prolixidade que possa ocorrer no desenvolvimento de determinados assuntos, as fórmulas um tanto desgastadas em momentos de preces ou reflexões, poderão instalar a insatisfação, fragilidades e até a deserção de companheiros de jornada;
A simplicidade, a modéstia no trajar, a afetuosidade de nossos gestos e a brandura de nossas palavras, cativarão, sem dúvida os irmãos trabalhadores oriundos das camadas sociais mais estreitas;
Quando a moderação – a compreensão dentro de parâmetros da caridade fraterna – se torna escassa, a mácula se estabelece, denegrindo a ambas as partes em questão;
É chegada a hora de nos determos ante estes dois personagens – ofendido e ofensor – e refletir; juízos à parte, o que vale é o entendimento e, se necessários, o humilde pedido de desculpas de um visando o repatriamento do outro…
Todos nós trabalhadores, iniciantes ou mais experimentados, internados neste Planeta, porque doentes, buscamos na Espiritualidade Amiga das Casas Espíritas, o impulso para um grande salto e sabemos que este é o roteiro certo. Jamais poderemos prescindir, entretanto, da compreensão, do conforto, do ânimo, do incentivo e do fortalecimento da mão amiga do encarnado que conosco ombreia, para podermos frutificar. Este estímulo, este consolo, longe de envaidecer-nos, trabalhará pelo nosso progresso, na medida em que nos proporcionará a coragem necessária para manter nossas mãos na charrua.

No gerúndio ou no particípio – melindrando ou melindrado -, outrora mocinhos e bandidos somos todos agora tais qual figurantes imperfeitos em plena ação, que iniciamos uma filmagem e não pretendemos deter-nos ante a nobre pretensão de nos tornar bem-aventurados os misericordiosos neste cenário que a Vida Maior nos inseriu.

Neste palco, onde agora desejamos antonimizar-nos para fortalecidos e fortalecedores, poderemos, com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a assistência de nossos queridos Mentores, e com a compreensão das partes, reverter nossas atuações e passar a desempenhar papéis principais numa Grande História de Superações.

(Sintonia: ESE, Cap. X, item 19 – Evangelho no Lar, em 3 de março de 2011).

(Matéria publicada, na íntegra em O Clarim, maio 2012).