Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O mistério do bem e do mal - Herculano


“Por que razão devemos pagar o mal com o bem e amar os
nossos inimigos? O certo não é o contrário, pagar o mal com o
mal e odiar os inimigos? O sujeito que me der uma bofetada leva
um tiro que o manda para o inferno. Foi sempre assim que se fez.
O mundo é isso. E é por isso que não entendo as religiões, não
entendo o Espiritismo. Se eu ficar espírita tenho de deixar de ser
homem. Vou ser maricas, bonzinho ou idiota!”
Depois disso, o leitor acrescenta: “Quer me dizer o que é o
bem e o que é o mal? Que mistério é esse? Levar uma bofetada é
um bem? Matar um bandido é um mal? Quero ver como vocês,
espíritas, se saem dessa”.
Nosso espaço é pouco para responder a tudo. Mas vamos fazer o possível. Mesmo porque não adianta escrever muito. O
próprio leitor informa: “Não sou de muito ler e de muito pensar.
Sou homem de atividade”.
Vamos por ordem:
1 – Os bichos se mordem e se estraçalham. O fraco foge do
forte. Mas o homem não é bicho, é homem. Tem inteligência,
consciência, linguagem, sabe falar. Os homens se entendem.
Devemos pagar o mal com o bem porque precisamos do bem para
viver. O mal aumenta o mal e transforma os homens em bichos. A
lei do “olho por olho e dente por dente” pertence às épocas de
barbárie. Só o amor produz a civilização, humanizando os costumes e desenvolvendo a solidariedade.
2 – Se o leitor se tornar espírita, deixará no passado o bicho
que existe em cada um de nós, para se tornar uma criatura humana. Aliás, toda religião e toda doutrina espiritualista, sejam quais forem, têm por finalidade afastar o homem da condição animal,
para humanizá-lo. Ser bom, não é ser idiota. Pelo contrário, a
idiotice está precisamente em ser mau. Os maus se condenam a si
mesmos e acendem um braseiro na consciência.
3 – Levar uma bofetada pode ser um bem, quando serve para
ensinar o bem, como no caso de Jesus. Matar um bandido é sempre um mal, pois ninguém precisa mais de viver do que um bandido. A vida é a grande educadora das almas. Matar um bandido é
retirar a sua possibilidade de regenerar-se, de aprender a ser bom.
Em todos os países civilizados o direito penal moderno é contrário
à pena de morte. O bandido é um homem em que o animal predomina. Mas, é um homem, um filho de Deus, uma alma pela
qual o Cristo se entregou ao suplício da cruz. O bandido é um
nosso irmão em erro, que deve ser corrigido e não aniquilado.
4 – Um homem de atividade, ou de ação, precisa ler e pensar.
A atividade sem pensamento é impossível. Primeiro pensamos,
depois agimos. Os que dizem que preferem agir estão errados,
pois na verdade estão agindo sem o necessário critério, que vem
da reflexão. Por outro lado, a reflexão se apóia no conhecimento
e, quem não lê, conhece muito pouco. A boa leitura e o bom
pensamento conduzem à ação reta, à atividade certa. Leia mais e
pense, sempre, antes de agir.