Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Os quatros reinos da Natureza


Os quatros reinos
da Natureza

Apresentamos nesta edição o tema no 63 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.

Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.

Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto abaixo.

Questões para debate

1. O reino mineral apresenta uma característica própria que o distingue dos demais. Qual é ela?

2. Que são seres inorgânicos?

3. Os seres orgânicos são todos eles constituídos de muitas células?

4. Que diferença básica existe entre os vegetais e os animais?

5. Que características especiais distinguem o homem dos outros seres?

Texto para leitura

A característica do reino mineral é a ausência de vida
1. Observando os seres da Natureza, os naturalistas os classificaram em três reinos: mineral, vegetal e animal. Neste último incluíram também o homem, considerando-o apenas do ponto de vista físico, isto é, somente em seu corpo material, que é, efetivamente, em tudo semelhante ao dos animais superiores. Considerado, no entanto, em sua integralidade, o homem distingue-se de todos os outros seres pela sua inteligência e racionalidade. Ele se destaca, pois, dos animais por qualidades que não pertencem à matéria e que constituem atributos do Espírito. Existiria, então, na Natureza um quarto reino: o hominal.

2. A distinção entre os seres da Natureza é de tal modo intuitiva que desde muito entrou no entendimento humano. Contudo, observando-se os seres mais simples dos extremos das três séries naturais, somos obrigados a reconhecer formas de transição tão sutis que é difícil determinar, dentre elas, qual a classificação exata a que pertençam.  

3. Há, no entanto, um caráter distintivo entre os minerais e os dos outros grupos, que nenhuma dúvida oferece ao analista: é a ausência de vida nos minerais e a presença dela nos vegetais e nos animais. Por isso, prefere-se um outro tipo de classificação que considera, de um lado, os minerais constituindo os seres brutos ou inorgânicos, e de outro, os vegetais e animais compondo o grupo dos seres vivos ou orgânicos.

4. A presença da vida traduz-se nos seres orgânicos pela organização celular da matéria de seus corpos e o correspondente aparecimento das funções de nutrição e reprodução. Há muitos seres constituídos de uma única célula [1], como os protófitos, entre os vegetais, e os protozoários, entre os animais. Nos seres evoluídos, as células se reúnem em tecidos, os tecidos em órgãos e estes em sistemas e aparelhos orgânicos.

Os animais demonstram possuir certo grau de inteligência
5. Respondendo à pergunta 585 d’O Livro dos Espíritos, acerca da divisão da Natureza em três reinos, os Espíritos disseram que do ponto de vista material há apenas seres orgânicos e inorgânicos, mas do ponto de vista moral existem evidentemente quatro graus: minerais, vegetais, animais e a espécie humana.

6. Os seres que formam o reino mineral só manifestam uma força mecânica, que decorre unicamente da matéria de que são formados. Faltam-lhes inteligência e vontade. Tais seres não revelam nem mesmo instintos, o que mostra que, se neles existe algum princípio diferente da matéria, está ele completamente abafado, dormente, em total estado de latência e inatividade.

7. Os seres que formam o reino vegetal, igualmente até certo ponto inertes e brutos, não têm inteligência nem vontade ativa, mas apresentam o movimento interior da vida e realizam um completo ciclo vital: nascem, crescem, nutrem-se, desenvolvem-se, reproduzem-se, definham e morrem. É que, além da matéria densa, são dotados do princípio vital, de que deriva essa força prodigiosa que lhes comunica a vida. Esses seres não revelam, porém, consciência alguma de sua existência, não sentem prazeres ou dores, não têm percepções e sentimentos. Só possuem vida orgânica, que lhes é comunicada por sua união com o princípio vital.

8. Os seres que formam o reino animal vivem como os vegetais, mas apresentam movimento e sensações que os vegetais não têm, observando-se, no tocante aos animais superiores, que seus movimentos são livres e obedecem nitidamente à vontade, o que revela que possuem certo grau de inteligência. Prevalece, contudo, no animal o instinto – sua inteligência não lhe dá inteira capacidade de raciocinar.

O livre-arbítrio é apanágio da espécie humana
9. O homem, pelo seu corpo material, se assemelha aos animais, mas deles se distingue totalmente por sua natureza espiritual, por sua alma, que lhe confere razão e senso moral. Dizem os Espíritos Superiores que é muito grande a distância que existe entre a alma do homem e a alma dos animais. No homem vibra, como ser essencial, um Espírito consciente, livre e responsável, destinado a realizar na sua plenitude a pureza, a justiça, o amor e a caridade.

10. O corpo do homem se destrói, como o dos animais, mas ao seu Espírito está assinado um destino que só ele pode compreender, porque só ele é inteiramente livre. O livre-arbítrio é, como sabemos, apanágio da espécie humana. Há, ainda, outra diferença importante entre o animal e o homem: após a morte do corpo físico, a alma do animal conserva a sua individualidade, mas não a consciência do seu eu, e a vida inteligente lhe permanece em estado latente.

11. A alma do animal – ensina o Espiritismo – fica, depois da morte de seu corpo físico, numa espécie de erraticidade, visto que não mais se acha unida ao corpo, mas não é considerada um Espírito errante, denominação que somente se aplica ao Espírito humano, que pode pensar e obrar por sua livre vontade.

12. De idêntica faculdade não dispõem os animais. Depois da morte corpórea, a alma dos animais é classificada pelos Espíritos incumbidos dessa tarefa e utilizada quase imediatamente.


[1] Em biologia, chama-se célula à unidade estrutural e funcional, básica dos seres vivos, composta de numerosas partes, sendo as principais a membrana, o citoplasma e o núcleo. O vocábulo aplica-se também à designação da menor unidade de matéria viva que pode existir de maneira independente, e ser capaz de reproduzir-se. Uma bactéria, por exemplo, é um microorganismo unicelular, desprovido de núcleo individualizado, pertencente ao grupo que abrange todos os organismos procariotos (organismos formados por uma única célula desprovida de membrana nuclear), à exceção das cianofíceas (classe de algas unicelulares ou filamentosas de estrutura simples, cujos pigmentos verde-azulados decorrem da ausência de cloroplasto; algas azuis, cianobactérias).

Respostas às questões propostas

1. O reino mineral apresenta uma característica própria que o distingue dos demais. Qual é ela? R.: Uma característica distintiva entre os minerais e os dos outros grupos, que nenhuma dúvida oferece ao analista, é a ausência de vida nos minerais e a presença dela nos vegetais e nos animais.

2. Que são seres inorgânicos? R.: Seres inorgânicos é como são, numa outra classificação, chamados os minerais, em oposição a seres orgânicos, nome dado aos seres vivos que compõem os reinos vegetal e animal.

3. Os seres orgânicos são todos eles constituídos de muitas células? R.: Não. A presença da vida nos seres orgânicos traduz-se pela organização celular da matéria de seus corpos e o correspondente aparecimento das funções de nutrição e reprodução, mas existem muitos seres vivos constituídos de uma única célula.

4. Que diferença básica existe entre os vegetais e os animais? R.: Os seres que formam o reino vegetal não têm inteligência nem vontade ativa. Só possuem vida orgânica, que lhes é comunicada por sua união com o princípio vital. Os seres que formam o reino animal vivem como os vegetais, mas apresentam movimento e sensações que os vegetais não têm, observando-se, no tocante aos animais superiores, que seus movimentos são livres e obedecem nitidamente à vontade, o que revela que possuem certo grau de inteligência.

5. Que características especiais distinguem o homem dos outros seres? R.: O homem, pelo seu corpo material, se assemelha aos animais, mas deles se distingue totalmente por sua natureza espiritual, por sua alma, que lhe confere razão e senso moral. No homem vibra, como ser essencial, um Espírito consciente, livre e responsável, destinado a realizar na sua plenitude a pureza, a justiça, o amor e a caridade.


Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 585 a 600.  

A Gênese, de Allan Kardec, item 29.