Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Reforma Íntima na Visão Espírita



Para falar de reforma íntima e os desafios para o 3º milênio, necessário se faz buscar auxilio em um dos livros do Pentateuco de Kardec. O livro em questão é A Gênese, e o texto que escolhemos para comentar é uma pequena parte do capitulo XVIII.
”O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto, do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados. Se viera mais cedo, teria esbarrado em obstáculos insuperáveis; houvera inevitavelmente sucumbido, porque, satisfeitos com o que tinham, os homens ainda não sentiriam falta do que ele lhes traz. Hoje, nascido com as idéias que fermentam, encontra preparado o terreno para recebê-lo. Os espíritos cansados da dúvida e da incerteza, horrorizados com o abismo que se lhes abre à frente, o acolhem como âncora de salvação e consolação suprema”.

Analisando as palavras de Kardec, podemos afirmar que: além do cansaço, das dúvidas e das incertezas que ele nos fala, nós estamos necessitados de entendimento das nossas dores  físicas e morais. A Doutrina Espírita pelo seu poder moralizador é preciosa ferramenta para nossa reforma íntima, com conseqüente transformação moral. Através da fé raciocinada, desenvolve no ser humano o poder do raciocínio lógico, para o melhor entendimento das Leis de Deus.
Com a ajuda do Espiritismo, o homem irá, pouco a pouco, unindo Ciência e Religião, pois no milênio vindouro, necessário se faz diminuir a distância existente, entre as nossas conquistas intelectuais e morais. É principalmente aí, que a Doutrina Espírita estará auxiliando a humanidade na sua caminhada, passando pelos desafios que iremos encontrar no terceiro milênio. O Homem do milênio que chega, sente sede e necessidade de espiritualização.
A reforma íntima tão falada e tão almejada por todos, não é um processo simples. Devemos entender primeiramente, que conforme o grau de consciência que a pessoa possui de sua vida, ela terá uma noção do que venha a ser reforma intima. Quanto mais instruído moral e intelectualmente o ser humano estiver, mais ampla será a visão acerca dos problemas e das dificuldades que enfrenta em sua vida.

Imaginemos, por exemplo, uma pessoa que tenha sua vida encerrada basicamente nos aspectos fisiológicos da vida. O que será uma reforma intima para essa pessoa? Fazer uma plástica, pinta os cabelos ou algo do gênero? Nesse caso, reforma intima para essa pessoa, é o que é mais imediato, é àquilo que mexe com a sua vaidade e alta estima num primeiro momento. Esse tipo de reforma - apesar de importante para algumas pessoas - ainda é muito periférica, superficial e não irá atingir o cerne do ser, o self, o espírito que é o que realmente importa. Esse tipo de reforma pode até gerar uma satisfação, um bem estar, uma alta estima mais elevada, mais devemos entender que é uma reforma exterior, portanto, temporária, e de forma alguma poderá ser considerada uma reforma íntima. A reforma íntima verdadeira, necessariamente precisa ocorrer de dentro para fora.
 Na questão de nº. 192 de “o livro dos Espíritos”, Kardec interroga os espíritos superiores: “Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento, e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermediários?”.
 "Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. Dá-se com o Espírito o que se verifica com a criança que, por mais precoce que seja, tem de passar pela juventude, antes de chegar à idade da madureza; e também com o enfermo que, para recobrar a saúde, tem que passar pela convalescença. Demais, ao Espírito cumpre progredir em ciência e em moral. Se somente se adiantou num sentido, importa se adiante no outro, para atingir o extremo superior da escala.Contudo, quanto mais o homem se adiantar na sua vida atual, tanto menos longas e penosas lhe serão as provas que se seguirem.”
 O Espiritismo nos ensina que os nossos órgãos tanto físicos como espirituais, além do nosso espírito, propriamente dito, ainda não estão desenvolvidos o suficiente para compreender a perfeição e principalmente Deus, e é por isso, que de reencarnação em reencarnação, nós iremos desenvolvendo essas capacidades, nós iremos ratificando nossas qualidades, e retificando, ou seja, reformando, melhorando, modificando, transformando nossas vidas. Esse é o caminho que iremos seguir até chegarmos ao topo da escala evolutiva, como nos diz Kardec.
 
Portanto, o Espiritismo nos mostra de outra forma a tão falada “salvação”, termo esse muito usado na grande maioria das religiões. Ninguém será “salvo”, simplesmente por fazer parte de determinada religião. Esse processo de “salvação” nos prova o Espiritismo, é dolorido, e como nos fala Kardec, bem longo. Portanto, ninguém se “salva” da noite para o dia, e muito menos Deus irá “salvar” algumas de suas criações só porque elas fazem parte de uma comunidade religiosa. Essa “salvação” será uma conseqüência de séculos de labuta e de várias e várias passagens pela carne. Portanto, a “salvação” que trata o espiritismo, passa necessariamente pelo nosso autoconhecimento e pela reforma íntima.                            
A Reforma Íntima é um trabalho complicado, demorado e processual. Processual significa aquilo que obedece a uma seqüência. Em conceito bem claro, reforma íntima é a habilidade de lidarmos com as características da nossa personalidade, melhorando os traços que compõem suas formas de manifestação. O nosso caráter, o temperamento, os valores, os vícios, os hábitos e desejos são alguns desses caracteres que podem e devem ser renovados e aprimorados.
Nessa saga de mutação e crescimento, o maior obstáculo a transpor ainda é o nosso interesse pessoal, o conjunto das viciações do ego repetido durante variadas existências corporais, e que se cristalizaram em nossas mente e em nosso espírito. Entretanto, para chegarmos ao aprimoramento, ao conhecimento interior, será necessária uma nova ética nas relações conosco e com a vida: é a chamada ética da transformação, sem a qual, essa nossa viagem em busca do autoconhecimento poderá estacionar em mera atitude de desvendar o subconsciente, sem propósitos de mudanças para melhor.
O autoconhecimento é um mapa de como chegar ao ‘eu verdadeiro’, que é a nossa própria consciência, a nossa própria personalidade. Todavia, essa viagem não pode ser feita somente com o mapa, ela necessita de suprimentos morais, preventivos, fortalecedores e de uma ética de paz consigo próprio. Somente nos conhecermos não basta, é necessário um intenso trabalho de auto-aceitação para não cairmos novamente nas garras de perigosas ameaças que rondam essa nossa viagem ao “eu verdadeiro”.
Para evoluirmos precisamos nos conhecer, isso é básico. Não existe evolução moral sem o autoconhecimento. Diante disso vamos nos fazer alguns questionamentos:
Como nós nos encontramos na atual encarnação?
 Será que os nossos estudos e alguns chamamentos da vida já nos fizeram mudar o grau de consciência que temos de nós mesmo?
Será que esses estudos e esses chamamentos da vida já acionaram o nosso sinal de alerta, para que acordemos dessa hibernação?
Como está a nossa vida?
 Será que estamos com as rédeas delas em nossas mãos, ou será que o controle de nossa vida foi terceirizado?
Para quem nós entregamos o controle de nossa vida?
Se depois de tantos questionamentos e do autoconhecimento, identificarmos que não estamos gerindo nossas vidas, que preferimos ouvir mais o que todo mundo fala, o que todo mundo sugere, são grandes as possibilidades de estarmos vivendo ou passando por algum tipo de conflito, conflitos esses, que não nos deixa confiar em nós mesmo para gerir nossa existência. Imaginemos agora o que é reforma íntima para uma pessoa nesse estado? Será que estamos sendo conduzidos, influenciados, ou simplesmente estamos copiando atitudes de outras pessoas? Se esse for o caso, o risco é grande de acabarmos achando que tudo isso é o resumo das mudanças que precisamos passar, sem, no entanto, aferir para ver se aqueles conselhos, aquelas mudanças sugeridas vem de encontro com a nossa existência. Portanto, quanto mais instruídos estivemos, mais iremos abrir o leque do autoconhecimento, e com esse domínio poderemos elaborar questões, que bem respondidas e analisadas, nos trarão um ganho enorme de tempo no nosso processo evolutivo. Por exemplo:

- Quais são os pontos, digamos, nevrálgicos da nossa personalidade que precisam ser modificados?
 - Quais são os nossos pontos fortes que precisam ser fortalecidos ainda mais?

Invariavelmente, nós do planeta Terra, ainda não fomos treinados para nos conhecermos. Uma grande parte da população foi treinada para ser submissa subserviente, para obedecer mesmo.

Quantos de nós ainda não nos libertamos com a proposta de Jesus e do Espiritismo, porque ainda temos muito medo da nossa vida atual, que, diga-se de passagem, poderia ser o antídoto para evitar muitas dores e sofrimento? Então isso mostra que a pessoa não tem contrato ainda consigo mesma, e não sabe para onde estar caminhando, porque, se ela não cuida do seu destino, se ela alimenta os apelos que aterrorizam sua consciência e sua personalidade, como é que ela poderá fazer uma reforma intima?
Se já temos algum conhecimento de nossa realidade, iremos começar a perceber certos padrões de acontecimentos em nossas vidas, que talvez seja a causa de uma série de acidentes, acidentes esses que estão nos trazendo sofrimentos e dificuldades. Nesse momento passamos a perceber que estamos fazendo alguma coisa errada, tendo algum tipo de comportamento que está gerando tudo isso. Essas dificuldades nada mais são que o nosso passado de erros voltando à tona e nos alertando para o chamamento de uma vida diferente, para o autoconhecimento, e conseqüentemente, nos chamando à reforma intima. O interessante é que tudo isso ocorre de forma involuntária, à pessoa queira ou não queira, quando ela é tocada pela dor ela começa a se observar mais.
 Joanna D´Angelis nos diz que: “O nosso ego recebe tantos apelos sociais que nós ficamos distraídos em atender a esses apelos e deixamos de cuidar do principal que é o self, o nosso espírito. Quando estamos atendemos a esses apelos, esquecemos de atender as nossas necessidades mais reais”  
O interessante nas palavras de Joanna, é que enquanto estamos atendendo as necessidades falsas que a sociedade cria de forma ilusória em nossa mente, como se aquilo fosse imprescindível para nossa felicidade, nós deixamos o principal em segundo plano. Com esse comportamento, nós acabaremos caindo no que a psicologia chama de massificação. A psicologia nos diz que uma pessoa massificada é uma pessoa inpensantes e incapaz de raciocinar por si mesma. As pessoas inpensantes fazem absolutamente o que todo mundo faz. A psicologia trata isso como conflitos internos e falta de confiança para gerenciar a própria vida. Vamos imaginar uma situação de massificação: se estivemos em um local com umas cem pessoas, por exemplo, e 80 delas fumarem, o que iremos achar? Se formos uma pessoa massificada, iremos acabar achando que fumar é normal. Nós iremos validar o fumo através do consenso. Quantos comportamentos que nós temos não são baseados no consenso? Existem pessoas que chegam inclusive a se justiçar: Há mais todo mundo faz qual o problema? È como se ela fosse autorizada a fazer alguma coisa errada pelo simples motivo que todo mundo faz. Agora, qual é o grau de consciência que essa pessoa tem sobre si mesma? Ela não tem consciência das conseqüências de suas ações que podem prejudicar o seu corpo físico e psíquico, e assim vai ampliando essa visão de falta de consciência. Se eu simplesmente faço o que todo mundo faz - e nem sempre isso é o melhor para mim - então qual é a consciência que eu tenho da minha saúde, do meu equilíbrio? Mais como eu tenho algum prazer de fazer aquilo que todo mundo faz, e por outro lado também, se eu tenho alguma culpa por isso, eu irei diluir essa culpa com a multidão, chegando ao ponto de achar que estou tendo algum ganho com essa atitude.
Quando o individuo vai ganhando consciência, aprendendo a se instrui - como nos diz o evangelho segundo o espiritismo - ele vai começando a perceber que ele é o gestor do seu equilíbrio, da sua saúde, da sua sanidade, da sua melhoria pessoal e de sua vida. Acreditem, tudo que nós, de alguma forma, voluntária ou involuntariamente fazemos que destoa dos valores morais, começa a criar atritos, conflitos em nossa personalidade, e com isso começam a aparecer as doenças, as obsessões, tanto as auto obsessões, quanto as hetero-obsessões. De qualquer forma, em ultima instancia tudo isso está acontecendo para acordar a nossa personalidade.
A aproximação do fim do milênio tem gerado na humanidade reações das mais diversas possíveis. São interpretações que variam de grande desdém ao fato, ao extremo de considerar que o mundo será destruído fisicamente pelas catástrofes. A Doutrina Espírita, no entanto, nos mostra outro caminho, outra realidade que é o da racionalidade. Fundamentada inteiramente na moral do Cristo, o Espiritismo prega a reformulação dos princípios básicos do ser imortal, que faz suas conquistas através das oportunidades reencarnatória, e compreende em plenitude às conseqüências da lei de Deus. O Espiritismo bem compreendido, bem estudado e analisado, tem como conseqüência inevitável a melhoria da criatura, desenvolvendo no homem a necessidade de construir um mundo melhor, mais justo e de menos sofrimento. Esse é o mundo do terceiro milênio. Até chegar lá, porém, a humanidade percorreu um longo caminho, e ainda percorrerá longa estrada até chegar à compreensão plena dos mecanismos da Criação. O homem do terceiro milênio é um homem liberto das amarras da ignorância e sabedor da profundidade e importância das Leis de Deus.
A idéia de que a vida se resume entre o nascer e o morrer tem sido a grande razão pela qual a humanidade se mantém no atraso moral. A dúvida sobre o futuro faz com o que o homem concentre seus pensamentos apenas na vida terrena. Sem idéia do porvir, dedica-se inteiramente ao presente, depositando sobre ele todas as suas esperanças de felicidade. Considera os bens terrenos muito preciosos e sua perda causa-lhe pungente dor e sofrimento.

A idéia da nulidade é o mais grave engano da humanidade, o que leva o homem a posturas de extremo egoísmo que tem caracterizado o comportamento em todos os tempos. Com esse pensamento, o homem elaborou seu alicerce em valores transitórios, dando à vida uma importância calcada unicamente na aquisição de riquezas materiais. Tivesse ele a idéia das conseqüências danosas desses pensamentos para a sociedade, e para a edificação de seu Espírito imortal, com toda certeza trataria de rever urgentemente seus conceitos. Sem perspectivas de futuro para o seu Espírito, todas as suas lutas resumem-se em superar o outro, em contrapartida com o verdadeiro objetivo da vida, que é a superação de si mesmo. Como a idéia da vida futura lhe é vaga, e às vezes resume-se apenas a frágeis concepções religiosas ou filosóficas, trata de suprir apenas o presente, esbaldando-se em esforços nas conquistas da matéria, única coisa real e justificável em sua ótica, em sua visão niilista.
 Existe no Evangelho uma historia muito interessante. Havia uma estrada, e por essa estrada um homem viajava. Esse homem com certeza não tinha bons pensamentos, e suas ações no decorrer de sua vida não eram das melhores. Mais de repente algo aconteceu com ele. Ele percebeu uma luz muito forte e uma voz como que vinda do céu, e essa voz dizia assim: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” Essa pessoa era Paulo de Tarso. A meu ver, um dos maiores exemplo de reforma íntima. Uma bela história que nos leva a raciocinar e refletir. Será que a conversão de Paulo - que era um contumaz perseguidor da boa nova, e depois passou a ser seu protetor – aconteceu naquele momento que ele sentiu tudo aquilo, será que foi assim? Com certeza a idéia de se reformar aconteceu sim naquele momento. Mais será que para Paulo de Tarso, a reforma íntima foi fácil? Antes não podia nem ouvir falar na tal da boa nova, e agora um defensor ferrenho dela. Paulo depois que passou a defender a palavra do Cristo foi perseguido e teve sua vida ameaçada várias vezes. Será que nós conseguiríamos nos manter na nossa fé, se tivéssemos nossas vidas ameaçadas? Será que a reforma íntima de Paulo foi tão fácil assim? Viu uma luz, ouviu uma voz e pronto, reformou-se? Teria mesmo acontecido dessa forma? Quantas vozes nós no decorrer de nossas vidas já não ouvimos, e nem mesmo assim conseguimos nos reformar?

Paulo depois de perseguir a boa nova por muitos anos, foi preciso passar por um momento de dor para acordar. Paulo não mudou só de nome, mais principalmente, mudou seus pensamentos e suas atitudes, e se reformou, passando a viver em função da boa nova, em função do Cristo. 


Nós infelizmente ainda não acordamos para a nossa reforma. Podemos até mesmo mudar de nome - como fez Paulo - mais ainda não estamos preparados para mudanças tão drásticas.

** Texto elaborado por : Walter Frota Fontenele
Palestra Ministrada no CE Humberto de Campos dia 25/10/2012 pelo trabalhador daquela casa: Walter Frota Fontenele